Ficha Técnica

Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke
Elenco: Keir Dullea,Gary Lockwood ,William Sylvester,Leonard Rossiter,Margaret Tyrack
Fotografia:Geoffrey Unsworth e John Alcott
Direção de arte:John Hoesli
Figurino:Hardy Amies
Edição:Ray Lovejoy
Efeitos especiais:MGM
Produção:Stanley Kubrick
Estúdio:MGM / Polaris
Distribuidora:MGM
Duração: 149 minutos
País: Estados Unidos
Ano: 1968
COTAÇÃO: EXCELENTE

A opinião

O diretor Stanley Kubrick utiliza a simetria e o perfeito enquadramento da imagem. A aurora do homem, a pré referencia ao ser humano apresenta-se por cenários estáticos povoado por chipanzés. A musica clássica exacerba a grandeza das ações apresentadas. O dia-a-dia destes seres, caracterizados pelo instinto animal e pela brutalidade inerente, é a própria luta pela sobrevivência. Eles brigam e fazem guerra para que o território seja preservado. Um conflito de classes, que é vencido pelo melhor e pelo de melhor atitude, instaura-se entre eles, segmentando os fracos, os fortes e os de meio termo. O ódio sem sentido e o gosto pelo poder conduzem o entendimento e a vontade. Uma vida de medo e de exclusão, para uns, tendo que se esconder sem a liberdade natural. A motivação é o precursor da trajetória. A busca de algo que não se sabe, mas que é tão necessário que devasta a alma pela sua procura.

Em certo momento, no mundo dos macacos, algo acontece na inércia e no ócio deles. Um monólito, negro, aparece e causa curiosidade e estranhamento. Esse objeto faz olhar para o céu, para novos mundos, planetas, constelações que precisam ser descobertas. E essa ‘parede preta’ representa o conhecimento inicial. O sombrio. Invoca a referencia da Caverna de Platão, que explica que é preciso sair da escuridão para aprender. O monólito infere o novo, o obscuro e o grande caminho que a próxima geração de seres, já humanos, dotados de consciência para distinguir o bem e o mal, o certo e ou errado, irá percorrer ao suposto crescimento e à ‘suposta’ liberdade.

Os pré-humanos experimentam sentimentos de raiva, de ira, de violência sem sentido pela destruição por si só ou pela fome dos alimentos. O novo estimula a pressa e a preocupação com a não morte. Há luta entre facções. A guerra é iniciada por nada, sem entendimento e sem razão. Os parâmetros dessa violência os rotulam como bichos, seres que não pensam, que não formam a educação colaborativa da sociedade. Há o individualismo crônico de cada um pelo próprio interesse.

A cena muda. A terra aparece sendo visto da galáxia. Em toda sua magnitude em uma valsa balé de simetria futurista. Os homens já existem e a tecnologia mais inteligente e com o mínimo de falhas também. Uma viagem da terra à lua com objetos voando pela falta de gravidade. Há a perda do controle sobre as coisas. Os homens, arquitetos computacionais, incutiram poderes em máquinas, com a dicotomia de serem criadas por esses próprios homens. A praticidade de não se ter trabalho após muita tentativa e erro. É como esses novos seres quisessem a aposentadoria do pensamento. As imagens mostram o quão pequeno as coisas são. Sempre haverá algo maior.

Neste movo mundo, as comidas são plastificadas e processadas com o numero certo de proteínas, glicídios, sais minerais, ferro. Percebemos por causa das cores apresentadas. Sabe-se que come batata por causa do aspecto do purê. Outra característica é a superficialidade das relações humanas. Saiu-se de um sentimento visceral para a indiferença mor. A modernidade é programada como na terra. Os serviços de telefonia foram privatizados e custam preços reais e normais. Algo acontece. Uma epidemia no equipamento do computador Clavius. A câmera interage quando acompanha a rotação. A cena do personagem lendo as informações para que pudesse usar o banheiro, o espectador pode perceber a mensagem “Toalete – gravidade zero”. A lua tornou-se uma nova opção de moradia após a vida na terra. O conhecimento do monólito da aurora foi ‘aprendido’.

O dia-a-dia da vida na lua, e de sua tripulação, é mostrada. “É de frango? É, tudo tem gosto de tudo”, diz-se. O paradoxo explicita-se. Fornecer poder a uma maquina para domina-la, mas na verdade a ingenuidade de se fazer robôs perfeitos não visualiza a inversão dessa dominação. As imagens assumem uma atmosfera vazia. Como se o nada fosse mais presente do que o seu próprio objetivo. A câmera passeia e participa, tornando-se mais um personagem que está aprendendo com o novo.

O monólito reaparece expressando que ainda há conhecimento a ser explorado. Eles, essa tripulação, não sabem o que essa parede que indica um novo mundo quer dizer. São curiosos também, mas possuem tecnologia para tirar uma fotografia a fim de que esse objeto seja lembrado. É um novo que pode ser absorvido mais facilmente por causa de tudo que já se conseguiu até momento.

18 meses depois e um novo mundo. Neste, dominado por um computador extremamente mais inteligente que qualquer humano. HAL 9000 é o nome da máquina. Há a adaptabilidade dos indivíduos aos limites impostos por outros planetas. A nova missão está em Júpiter. Esse computador nunca cometeu nenhum erro. É complemente infalível. Sempre que lhe pergunta o que aconteceu, ele responde “Sempre devido a falha humana”. Novas tecnologias são apresentadas como a hibernação da energia vital sem a noção de tempo. HAL desenvolveu emoções humanas que lhe fornece o saber necessário de cada ação. Ele aprendeu a educação social, a manipulação e a solidão. A autenticidade dessas emoções, com a quantidade de informações apresentadas, fez com que se transformasse na mais perfeita criação já realizada. “Se ele tem emoções reais, eu não sei”, diz-se. Ele projeta as aflições e realiza ações impensadas, questionando a verdadeira intenção. Um erro gera as conseqüências dos próximos acontecimentos.

O olhar, inquisidor, e observador de HAL, infere-se ‘o tudo vê, tudo sabe, tudo pode’. Ele transpassa inteligência e confiança. Mas quando precisa lutar por sua sobrevivência, ele utiliza os clichês repetidos pelos humanos “Eu tenho medo”, implora por perdão. A máquina e o homem entram em conflito. Um com a inteligência, o outro com ações manuais. A vingança torna HAL um humano que remete a brutalidade da inicio do mundo. A fotografia do reflexo da tela, com luz do próprio sistema, estimula percepções da imagem.

Quando um ser humano conhece a mesma quantidade de informações dessa máquina, uma viagem psicodélica e veloz é iniciada. Novos mundos mostram o surrealismo dessa jornada. A respiração deste ‘ser’ fica ofegante e cria-se a tensão.

O passado, o presente e o futuro são apresentados em um ambiente seco, futurista e retrô, ao mesmo tempo, e completamente solitário. O conhecimento gera a solidão. A falta de vida das coisas. O conhecimento move-se para que outro busque, para que outra geração (com a figura de um feto, que representa a vida, que conhecimento é vida) o acrescente ou o modifique. Pensar no passado envelhece. Um mesmo monolito aparece. O conhecimento não acabou. Ainda falta, mesmo depois de todo saber de um indivíduo.

Vale muito a pena ser visto. É inteligente, estruturado com uma boa adaptação e roteiro de Artur. C. Clarke. Recomendo.

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