Ficha Técnica

Diretor: Jason Reitman
Roteiro: Jason Reitman e Sheldon Turner, baseados em obra de Walter Kirn
Elenco: Jason Bateman, George Clooney, Anna Kendrick, Vera Farmiga, Melanie Lynskey, Danny McBride, Chris Lowell, Tamala Jones
Fotografia: Eric Steelberg
Trilha Sonora: Rolfe Kent
Produção: Jeffrey Clifford, Daniel Dubiecki, Ivan Reitman, Jason Reitman
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Duração: 104 min
Ano: 2009
País: EUA
COTAÇÃO: MUITO BOM

A opinião

O novo filme do diretor de ‘Juno’ e ‘Obrigado por Fumar’ mantém a mesma aura independente dos anteriores. O jazz moderno e as telas divididas dos créditos iniciais fornece o tom à trama que será apresentada.

Baseado no livro de Walter Kirn, aborda a vida de Ryan Bingham (George Clooney) é um consultor que tem a tarefa de demitir funcionários para cortar os gastos das empresas, convivendo com a raiva, a depressão e o descontentamento delas. Ele realiza palestras motivacionais no melhor estilo auto-ajuda. Porém a forma como a história é contada, o clichê é banido, dando lugar ao direto e à reflexão. Quando não está no trabalho, gosta de passar o tempo em quartos de hotéis pouco conhecidos e cabines de vôos. Com uma carta de demissão na mesa de seu chefe e a promessa de trabalho em uma misteriosa firma de consultoria, Bingham está perto de conquistar seu principal objetivo: conseguir dez milhões de milhas como passageiro.

A camera descreve ações e movimentos banais como sendo um videoclipe, como por exemplo a arrumação de uma bagagem para viagem de forma perfeccionista e extremamente metódica.

O roteiro, vencedor do Globo de Ouro de 2010, é, sem sombras de dúvida, o melhor elemento do filme, com seus diálogos inteligentes e referências bem sacadas. As idiossincrasias e fragilidades dos indíviduos são analisadas com uma resignação da própria inerência do ser ‘é o que é’ e sem a necessidade de repensar sobre o que já está implícito. “São as cordialidades sistemáticas que mantém o mundo em órbita”, diz-se.

“O movimento é vida”, diz-se quando explicita a ideia da quantidade de pessoas, coisas e afins que se carrega em uma mochila (nós mesmos). A metáfora infere que quanto mais pesada a carga, menos conseguimos caminhar livre, leve e despreendimentos. Há a estagnação e a prisão pelo que se adquire. Portanto é preciso movimentar o estágio da inércia aceita e acomodada.

Aos poucos aprofunda os seus personagens, mostrando as
rachaduras e defesas existenciais de caráter e sentimentos. Questiona, apenas retratando, os estágios e formas de solidão. Cada um transfere para outros níveis o que não aguenta mais em si. Trabalho, casamento, metas impossíveis, casualidade. A consequência é não ser de nenhum lugar estando em todos. Os relacionamentos caracterizam-se por uma prepotência ingênua e programam-se em horários pré-definidos, por praticidade e medo do complemento. “Mostre-me a sua arrogância. Impressione-me”, diz-se.

“Não há nada de vulgar na fidelidade”, diz-se ao ser confrontado com a o exercício repetitivo de todos os dias. Quando a política da empresa muda, os atos já acostumados precisam adaptar-se ao novo. “Isso é racismo”, ela diz. Ele responde “Não é não, como minha mãe diz: faço estereótipos. Isso é rápido”. As relações superficiais realizam o processo de repensar o que já era dito certo em um pensamento e uma convivência diferente. A nova tarefa dele é ensinar a mais nova contratada. “Ela é um animal diferente”, define, assumindo o lado frio e impessoal da crueldade social. O objetivo é demitir visando que a demissão é o melhor negócio e transmitindo que a luta pelos sonhos é não viver na infelicidade. A excelente lábia é fruto da interpretação espectacular de George Clooney.

“Quanto mais lento nos movemos, mais rápido morremos. Acredite em mim: todos morremos sozinhos. Por isso não me caso”, diz-se. A sabedoria vivida ensina aos mais novos que possuem sonhos e utopias demais. Ser realista é o impulso para o não sofrimento. “Ele é um cretino”, a mais nova diz. A outra contra-argumenta “Cretinos são espontâneos, divertidos e imprevisíveis”.

Destaco algumas frases: “Um cásulo de auto-exílio”, sobre a defensiva. “Namorados são para crianças”, “A vida é melhor quando estamos acompanhados. Todos precisam de um co-piloto” e “Você é uma fuga das nossas vidas reais. Um parênteses”.

Conclui-se que o roteiro já por si só vale cada minuto sentado em uma cadeira do cinema. Há as interpretações e a parte técnica que é extremamente competente com sua luz clara e seca. Vale muito a pena ser visto. Recomendo.

O Diretor

Jason Reitman nasceu em Montreal, 19 de outubro de 1977 é um realizador, diretor, produtor e ator canadense, mais conhecido por realizar os filmes Thank You for Smoking e Juno. Foi nomeado por duas vezes pela Oscar da Academia.

Filmografia

2008 – Pagando Bem, Que Mal Tem?
2009 – Amor Sem Escalas
2007 – Juno
2005 – Obrigado por Fumar

Ator

1997 – Um Dia, Dois Pais
1993 – Dave – Presidente por um Dia
1990 – Um Tira no Jardim de Infância
1989 – Os Caça-Fantasmas II
1988 – Irmãos Gêmeos

O Ator

George Timothy Clooney (Lexington, 6 de maio de 1961) é um ator e diretor de cinema e televisão americano.Clooney é filho do apresentador de televisão estadunidense Nick Clooney e acompanhava o pai nos estúdios desde os cinco anos de idade. Para evitar a competição com o pai, George Clooney abandonou seu emprego de jornalista televisivo e começou a trabalhar como ator quando seu primo, Miguel Ferrer, lhe conseguiu um pequeno papel num filme.

A seguir começou a atuar na televisão, chegando ao auge do sucesso com o seriado ER interpretando o Dr. Doug Ross, o qual abandonaria em 1999 para começar uma carreira mais efetiva no cinema. Participou do episódio de despedida de sua colega Julianna

Margulies em 2000. Em 2009, George retornou à série em sua última temporada para mais uma participação especial. Entre seus filmes mais conhecidos estão: Três reis, Onze homens e um segredo, O amor custa caro, Solaris, Batman & Robin e Syriana, pelo qual ganhou o Globo de Ouro e o Oscar de melhor ator coadjuvante. Além de atuar em frente às câmeras, dedica-se, esporadicamente, ao trabalho de diretor, como nos filmes Confissões de uma mente perigosa e em Boa noite e boa sorte, pelo qual foi indicado ao Globo de Ouro e ao Oscar de melhor diretor em 2006. Apesar de ter uma carreira promissora em filmes bastante comerciais, decidiu investir em projetos ousados e com temáticas sociais como o filme Syriana.

Filmografia

1987 – Return to Horror High
1988 – O retorno dos tomates assassinos
1990 – Soberanos das drogas
1992 – Jovem para sempre
1993 – Anatomia de um crime
1996 – Um drink no inferno
1996 – Um dia especial
1997 – Batman & Robin
1997 – O pacificador
1997 – Full Tilt Boogie
1998 – Irresistível paixão
1998 – Além da linha vermelha
1998 – Waiting for Woody
1999 – South Park: maior, melhor e sem cortes
1999 – Três reis
2000 – E aí, meu irmão, cadê você?
2000 – Mar em fúria
2001 – Onze homens e um segredo
2001 – Pequenos espiões
2002 – Confissões de uma mente perigosa
2002 – Solaris
2002 – Tudo por um segredo
2003 – O amor custa caro
2003 – Pequenos espiões 3
2004 – Doze homens e outro segredo
2005 – Boa noite e boa sorte (Festival de Veneza de melhor roteiro)
2005 – Syriana (Oscar de melhor ator coadjuvante)
2006 – O segredo de Berlim
2007 – Conduta de risco
2007 – Treze homens e um novo segredo
2008 – Queime depois de ler
2008 – O amor não tem regras

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