Ficha Técnica

Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Anthony Peckham
Elenco: Morgan Freeman, Matt Damon, Scott Eastwood, Langley Kirkwood, Robert Hobbs, Tony Kgoroge, Jason Tshabalala, Bonnie Henna, Grant Roberts, Patrick Holland, Patrick Mofokeng, Moonsamy
Fotografia: Tom Stern
Trilha Sonora: Kyle Eastwood, Michael Stevens
Produção: Clint Eastwood, Robert Lorenz, Lori McCreary, Mace Neufeld
Direção de arte:Tom Hannam e Jonathan Hely-Hutchinson
Figurino:Deborah Hopper
Edição:Joel Cox e Gary Roach
Efeitos especiais: CIS Hollywood / CIS Vancouver / Hirota Paint Industries
Distribuidora: Warner Bros
Duração: 133 min
País: Estados Unidos
Ano: 2009
COTAÇÃO: BOM

A opinião

O novo filme, baseado no livro “Playing the enemy” (Jogando com o inimigo) de John Carlin, do diretor Clint Eastwood apresenta-se temática política com a parcialidade de mostrar o lado humano e salvador de Madiba, como é chamado Nelson Mandela. E acompanha o período em que ele (Morgan Freeman), com uma excelente interpretação, sai da prisão em 1990, torna-se presidente em 1994 e os anos subsequentes. Na tentativa de diminuir a segregação racial na África do Sul, o rugby é utilizado para tentar amenizar o fosso entre negros e brancos, fomentado por quase 40 anos. O jogador Francois Pienaar (Matt Damon) é o capitão do time e será o principal parceiro de Mandela na empreitada.

O início com músicas africanas locais e o constraste de jogadores negros amadores e os brancos profissionais, enquanto estes consideram Mandela como terrorista “O dia em que o nosso país entrou em declínio”, aqueles aplaudem a sua libertação. Madiba pretende incorporar e ‘acordar’ a dignidade da pessoa humana. E expurgar a opressão em um mundo arco-íris. A igualdade, e a reconciliação, entre brancos e negros é buscada, assim como um nova vida após o apartheid, que demora a acontecer por preconceito dos próprios envolvidos. A superioridade ariana versus a necessidade de sempre lutar por seus direitos do lado dos negros, causando a defensiva de auto-proteção a todo momento.

A parte técnica é incrível. A camera acompanha os personagens como se fosse um deles. É precisa e simples. Os movimentos são interativos e descrevem o ambiente antes da cena propriamente dita. Comporta-se como uma apresentação. Um preâmbulo. A fotografia mistura a luz do crepúsculo avermelhado e a da lua, com uma forte tendência ao pardo realista. “O passado pertence ao passado. Estamos olhando para o futuro agora”, diz-se.

Deixar a minoria satisfeita, já que é ela que controla tudo, é o objetivo e para Mandela pode ser conquistado pela seleção africana de Rugby. Para isso as jogadas políticas precisam ter discursos metódicos, motivadores, exemplificativos e uma inteligente ingenuidade e o poder da palavra preza a sinceridade, simplicidade, decisão e humanidade. A observação e a percepção dos outros aumenta o conhecimento e entende-se qual a cartada a ser escolhida. “O perdão liberta a alma. Afasta o medo. É uma arma poderosa”, diz-se.

Nada mais oportuno em se fazer um filme sobre os pontos positivos da gestão Mandela, visto que a Copa do Mundo deste ano será realizada na Nova África do Sul. Porém os problemas do país são questionados sem clichês e obviedades recorrentes. “Eles precisam superar o apartheid”, diz-se.

Há inúmeros instantes sentimentais, com músicas, cameras lentas, zoom lento e delicado, diálogos e ações de efeito, que manipulam as emoções do espectador, interferindo na opinião do contexto geral. “Vocês me elegeram seu líder. Deixe liderá-los”, diz-se exemplificando o tom sensacionalista. É um filme de propaganda, porém muito bem realizado esteticamente. Mandela não gostava de críticas sem discernimento e com pessoalidade. “Rugby é um jogo brutal quase tanto como a política”, diz-se. Há uma tensão o filme inteiro que engana o espectador. “Este país tem fome de grandeza”, Madiba diz.

É o 32º longa de Clint Eastwood como diretor. E o oitavo trabalho de Eastwood com o músico Kyle, seu filho. Este já assinou a trilha e compôs canções para Gran Torino, A Troca, A Conquista da Honra, Cartas de Iwo Jima, Sobre Meninos e Lobos, Menina de Ouro e Rookie – Um Profissional do Perigo.

Vale a pena ser visto pela camera que é espetacular, pela interpretação de Morgan Freeman e pela competência coadjuvante das outras. É interessante, porém parcial no roteiro e com o intuito de criar o sentimento de favoritismo no Oscar.

O Diretor

Clinton “Clint” Eastwood, Jr. (São Francisco, 31 de Maio de 1930) é um ator, cineasta, produtor e compositor dos Estados Unidos famoso pelos seus papéis típicos em filmes de ação como um cara durão e anti-herói, principalmente como o Homem sem nome da Trilogia dos Dólares nos filmes western spaghetti de Sergio Leone dos anos 60, e interpretando o Inspetor ‘Dirty’ Harry Callahan na série de filmes Dirty Harry dos anos 70 e 80.

Como diretor, seus filmes têm sido criticados positivamente. Já ganhou quatro vezes o Oscar — duas cada como Melhor Diretor e de Melhor Filme, e foi homenageado em 1995, recebendo o prêmio Prêmio Memorial Irving G. Thalberg em reconhecimento à sua longa carreira no cinema. Por duas vezes foi eleito o ator favorito dos americanos, e é o único ator da história do cinema a estrelar em filmes considerados de “grande sucesso” por cinco décadas consecutivas.

Eastwood também tem interesse na política. Membro do partido republicano desde 1951, Clint foi eleito prefeito de Carmel-by-the-Sea, Califórnia, onde permaneceu no cargo de 1986 até 1988.

Filmografia

2009 – Invictus (Invictus)
2008 – Gran Torino (Gran Torino)
2008 – A Troca (Changeling)
2006 – Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima)
2006 – A Conquista da Honra (Flags of Our Fathers)
2004 – Menina de Ouro (Million Dollar Baby)
2003 – Sobre Meninos e Lobos (Mystic River)
2002 – Dívida de Sangue (Blood Work)
2000 – Cowboys do espaço (Space cowboys)
1999 – Crime Verdadeiro (True Crime)
1997 – Meia-noite no jardim do bem e do mal (Midnight in the garden of good and evil)
1997 – Poder Absoluto (Absolute Power)
1995 – As Pontes de Madison (The Bridges of Madison County)
1993 – Um Mundo Perfeito (A Perfect World)
1992 – Os Imperdoáveis (Unforgiven)
1990 – Um profissional do perigo (Rookie, The)
1990 – Coração de Caçador (White Hunter, Black Heart)
1988 – Bird (Bird)
1986 – O Destemido Senhor da Guerra (Heartbreak Ridge)
1985 – O cavaleiro solitário (Pale rider)
1983 – Impacto Fulminante (Sudden Impact)
1982 – Honkytonk Man (Honkytonk Man)
1982 – Raposa de fogo (Firefox)
1980 – Bronco Billy (Bronco Billy)
1977 – Rota suicida (Gauntlet, The)
1976 – Josey Wales, o Fora-da-Lei (The Outlaw Josey Wales)
1975 – Escalado para Morrer (The Eiger Sanction)
1973 – Breezy
1972 – O estranho sem nome (High plans drifter)
1971 – Perversa paixão (Play misty for me)

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