Ficha Técnica

Direção: Spike Jonze
Roteiro: Spike Jonze, Dave Eggers, baseado em livro de Maurice Sendak
Elenco: Forest Whitaker, Catherine Keener, Paul Dano, James Gandolfini, Catherine O’Hara, Lauren Ambrose, Tom Noonan, Alice Parkinson, Max Records, Michael Berry Jr..
Fotografia: Lance Acord
Trilha Sonora: Carter Burwell
Produção: John B. Carls, Gary Goetzman, Tom Hanks, Vincent Landay, Maurice Sendak
Duração: 101 min.
Ano: 2009
País: EUA
COTAÇÃO: MAIS DO QUE EXCELENTE


A opinião


O diretor Spike Jonze cria a metáfora da solidão moderna com recorrentes referências da história dentro da trama e aprisiona as fragilidades de seus personagens em casulos criados pelos mesmos, concretizando o sentimento internalizado do lado animal, selvagem e instintivo de cada um. A crueldade é impulsionada pela hipocrisia do egocentrismo.

Há dois mundos (um dos humanos e o outro dos monstros) e eles entrelaçam-se. O seres-humanos são sombrios, enigmáticos, egoístas, mesquinhos e dependentes. As percepções (caracteristicas subjetivas do que se infere do outro) de um mundo são transferidas (da sua família aos novos integrantes) ao outro de seres diferentes, incompreensivos e agressivos por inerência.

Aborda a trajetória de Max (Max Records), um garoto ‘dito’ travesso, que é mandado de castigo para seu quarto depois de desobedecer a mãe. Porém, a imaginação do menino está livre e o transporta para um reino desconhecido. Encantado, Max parte para a terra dos Monstros Selvagens, onde Max é o rei.

A camera capta o desespero real da carência inter-pessoal e o sentimente de abandono. E mostra que os mundos, mesmo não iguais, recorrem aos mesmos problemas, frustrações, medos e anseios. “Eu não acho que a loucura possa ser eliminada”, diz um monstro quando divaga o questionamento. “Ficarei no meu próprio lado, eu mesmo”, diz. Os outros necessitam do bem estar de outros para sentirem-se satisfeitos e felizes. Max percebe que em qualquer lugar existirão pessoas solitárias e defensivas.

Os monstros quebram as ‘moradias’ dos outros. Quando o rei é coroado, as relações transformam-se em um respeito quase profissional. “Ficarei com todos os servos”, diz-se querendo a compra dos amigos imaginários pelo dinheiro da imposição das vontades. O questionamento da solidão sempre volta à tona. O rei libera a selvageria pela violência da diversão. Cria guerras e confrontos, machucando a alma e o corpo. “Ei rei, é assim que você governa o seu reino? Com todos lutando?”, diz-se.

As questões existenciais são humanizadas principalmente pela música de Karen O and The Kids, indicada ao Globo de Ouro de 2010 como melhor trilha sonora (parecendo o grupo islandês Sigur Rós) que fornece ao ambiente uma viagem ao interior de cada um, sem o sensacionalismo ou a repetição do óbvio, retratando as rachaduras e quereres de uma alma real.

“Como alguém como nós se preocupa com a coisa pequena que é o sol”, diz-se. Max, então, idealiza e explícita a ideia de construir um mundo perfeito no universo dos monstros, com fortalezas e destruições dos cérebros dos invasores e ou não convidados. “Eu gosto do seu cérebro, Max”, diz-se e pergunta-se “E como saberemos qual cérebro deve ser explodido?”.

A fotografia, com luz certa da realidade e da computação gráfica é espetacular e demostra o desejo de uma felicidade que está resignada no sofrimento. Os ângulos e enquadramentos participam como personagens, interagindo com o espectador e despertando uma reflexão de autoconhecimento sem o apelo da filosofia auto-ajuda.

Filmado na Austrália, com produção de Tom Hanks, o longa é adaptado do livro ‘ONDE VIVEM OS MONSTROS’, publicado em 1963 por Maurice Sendak. Ao longo de 45 anos, vendeu mais de 19 milhões de exemplares mundialmente.

A conclusão é que vale muito a pena ser visto. É mais do que excelente. A manipulação das metáforas referenciais em todos os instantes. Há o dúbio. As cenas mostram várias interpretações prováveis e defendidas. A história por si já é interessante e auto explicativa. Porém o que se absorve com inferências e vivências pessoais é o que faz o filme ser o que é: FANTÁSTICO.


O Diretor

Spike Jonze nasceu em Maryland, 22 de Outubro de 1969) é um diretor de vídeos musicais, assim como produtor e diretor de filmes.Nascido Adam Spiegel. Em 26 de Junho de 1999 Spike se casou com a diretora Sofia Coppola. Em 5 de Dezembro de 2003 Coppola pediu o divorcio citando “diferencias irreconciliáveis”. Coppola tem um
papel no vídeo musical que Spike dirigiu para a canção dos Chemical
Brothers “Elektrobank”.

Seus trabalhos mais importantes incluem a comédia de humor negro negra de 1999 “Being John Malkovich” (“Quero ser John Malkovich”), o filme de 2002 “Adaptation” (“Adaptação”) ambas escritas por Charlie Kaufman e o seu mais recente filme “Where The Wild Things Are” (“Onde Vivem os Monstros”) onde ajudou a re-adaptar o livro infantil de Maurice Sendak. Co-criador e produtor da serie de televisão da MTV “Jackass” e de “Jackass: O Filme”.

Atuou em alguns vídeos e filmes e também escreve. Co-fundou e foi editor da revista Dirt, também foi editor da “Grand Royal Magazine”. Indicado ao Oscar de melhor diretor “Quero ser John Malkovich” e ao Globo de Ouro de Melhor Diretor por “Adaptação”.

Filmografia (diretor / ator)

1993 – Minha Vida Louca (ator)
1996 – Pig (ator)
1997 – How They Get There
1997 – The Game (ator)
1998 – Amarelo by Morning
1998 – Free Tibet
1999- Quero ser John Malkovich
1999 – Três Reis (ator)
1999 – Torrance Rises (ator, diretor, coreógrafo)
2002 – Adaptação

  • Já tinha lido sobre esse filme, mas estava um pouco receosa de locar. Como você está dando cotação "mais que excelente", vou locar e pelo post acho que não vou me arrepender. Parabéns pelo blog! 😉

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