Ficha Técnica

Direção: Fábio Barreto
Roteiro: Daniel Tendler,Denise Paraná,Fernando Bonassi
Elenco: Rui Ricardo Diaz (Lula), Glória Pires (Dona Lindu), Cléo Pires (Lurdes), Juliana Baroni (Marisa Letícia), Milhem Cortaz (Aristides), Lucélia Santos (Professora), Antônio Pitanga (Sr. Cristóvão), Celso Frateschi (Sr. Álvaro), Marcos Cesana (Cláudio Feitosa), Sóstenes Vidal (Ziza), Antonio Saboia (Vavá), Clayton Mariano (Lambari), Eduardo Acaiabe (Geraldão), Marat Descartes (Arnaldo), Nei Piacentini (Dr. Miguel), Felipe Falanga (Lula 7 anos), Guilherme Tortolio (Lula 15 anos), Luccas Papp (Lambari 15 anos), Vanessa Bizarro (Lurdes 13 anos), Maicon Gouveia (Jaime), Fernado Alvez Pinto (Jornalista), Rayana Carvalho (Dona Mocinha), Jonas Melo (Tosinho), Mariah Teixeira (Marinete)
Direção de Fotografia: Gustavo Hadba
Produção:Paula Barreto
Produção executiva:Rômulo Marinho Jr.
Direção de Arte:Clóvis Bueno
Figurinos:Cristina Camargo
Montagem:Letícia Giffoni
Preparação de Elenco: Sérgio Penna (NS Casting)
Som Direto: Cristiano Maciel
Edição de Som:Alessandro Laroca
Música: Antônio Pinto,Jaques Morelenbaum
Fotos divulgação: Otávio de Souza
Duração: 128 minutos
País: Brasil
Ano: 2009
COTAÇÃO: MUITO BOM

A opinião

O novo longa do diretor Fábio Barreto, sobre a história do nosso Presidente da República, inicia com créditos que não foram usadas leis de incentivo governamental. Assim, é almejada a imparcialidade. O filme é dividido em dois momentos (“partes”) para criar o épico de Caetés, em Pernambuco, em 1945, em uma travessia de 13 dias e 13 noites, até a vitória pela presidência. Sendo intercalado por imagens de arquivos documentais de acontecimentos históricos.

Os planos refletem e descrevem o tempo do lugar, que é retratado de forma real e natural. A narrativa aprofunda os personagens, sutilmente, sem caricaturas e ou excessos. A camera é um dos pontos importantes e ajuda a transmitir quase cirurgicamente. A fotografia granulada, em uma intensificação das cores de contraste e brilho apagado fornece o tom exato da paisagem da época abordada.

Outro tópico que vale a pena ressaltar é a interpretação dos atores. Visceral, contida, desesperada, alegre, intensa, não exagerada, criando “arrepio” e emoções. É captado o introspecto ao vísivel por nuances que definem e parcionam. A atriz Juliana Baroni é a própria D. Marisa Letícia, atual Primeira-dama. Há um momento em que Lula sente a necessidade de fazer a mãe feliz já no curso de torneiro mecênico. Esse momento é o momento desta obra ficcional realista.

“Não tem que brincar não, têm que trabalhar”, diz-se quando mostra uma das adversidades do corintiano. A cena do cinema, passando Mazaroppi, é esteticamente competente e merece o destaque.

A mudança dos estágios de ser do Lula é gradual e interessante. Porém, ao começar a segunda fase, há uma manipulação sentimental, desnecessária. Opta-se pela parcialidade de vislumbrar um salvador, desencadeando clichês de músicas para lágrimas, cameras lentas, flashbacks. Nesse ponto apela para a parte sensível do espectador. “Quando a gente sabe o que quer, tem que ir buscar”, “Cadeia foi feita para homem”.

Mesmo com o sentimentalismo exacerbado, pode-se observar incríveis instantes, que não foram poucos. O destaque direciona a cenas do personagem título no sindicato, defendendo e expondo seus ideais. Aprende na vontade de aprender. “A gente sempre faz o que é para fazer. Vai lá e faz. Se não der, você espera. A oportunidade vai a sua mão”, diz a mãe ensinando o filho a retroagir em certas decisões. “Levanta a cabeça, bola para frente e teima. É só teimar”, diz-se e o próprio filme complementa “Ele teimou”.

Portanto, vale a pena assistir. Induz? Sim. É parcial? Claro, é sobre o atual presidente do Brasil. Porém, os prós ganham dos contras.

Sobre o Filme

Com direção de Fábio Barreto (O Quatrilho), e baseado no livro homônimo de Denise Paraná, Lula, o Filho do Brasil traz para as telas o percurso de Luiz Inácio Lula da Silva, do seu nascimento, em 1945, até 1980, quando era um líder sindical consagrado. A data marca também a morte de uma pessoa extremamente influente em sua vida e em sua forma de pensar: Dona Lindu (Eurídice Ferreira de Mello), que criou oito filhos, sozinha, e tinha como lema “Nesta família ninguém vai ser ladrão ou prostituta”. E cumpriu.

Filmado em dois estados (Pernambuco e São Paulo), sete cidades e 70 locações, entre 20 de janeiro e 18 de março de 2009, Lula, o Filho do Brasil percorre os principais pontos da trajetória humana de Lula, do árido sertão pernambucano, onde nasceu, à periferia de Santos, onde cresceu, e por fábricas e sindicatos do ABC paulista, onde viveu intensas transformações pessoais (como a perda da primeira mulher e do filho), e profissionais (como o emocionante discurso no estádio lotado da Vila Euclides, realizado sem sistema de som, quando 80 mil operários repetiram suas palavras para que todos pudessem ouvi-las).

No elenco de 130 atores destacam-se Rui Ricardo Diaz, que em sua estreia cinematográfica, interpreta Lula dos 18 aos 35 anos; Glória Pires como Dona Lindu, Cleo Pires (Lurdes, primeira mulher de Lula), Juliana Baroni (Marisa Letícia). Milhem Cortaz (Aristides, como o pai violento). As filmagens contaram ainda com 3.000 figurantes.

“Não fizemos um filme sobre um político ou o presidente da República, mas sobre um homem comum, sua família e a extraordinária capacidade de superar dificuldades,” define o produtor Luiz Carlos Barreto, idealizador do projeto baseado no livro “Lula, O Filho do Brasil” de Denise Paraná.

O Diretor

Antes de chegar à direção de um longa-metragem, Fábio Barreto acumulou vasta experiência em várias funções da atividade cinematográfica, entre elas, assistência de produção de Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), assistência de direção em Amor Bandido (1978) e produção de O Beijo no Asfalto (1980), filmes dirigidos pelo irmão Bruno.

Em 1982 dirigiu seu primeiro longa-metragem, Índia, a Filha do Sol, estrelado pela também estreante em cinema Glória Pires, baseado em romance de Bernardo Ellis. Seus filmes seguintes foram O Rei do Rio (inspirado em peça Dias Gomes), Luzia Homem (baseado em romance de Domingos Olímpio, estrelado por Cláudia Ohana). Em 1995, lançou O Quatrilho, um marco da retomada do cinema brasileiro dos anos 90 e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Baseado em romance de José Clemente Pozzenato, o filme retratava o início da colonização italiana no sul do Brasil e voltou a reunir o diretor e a atriz Glória Pires ao lado de Patrícia Pillar, Alexandre Paternost e Bruno Campos. Em seguida, Fábio realizou, no Ceará, Bela Donna, adaptação do romance Riacho Doce de José Lins Rego, e retornou ao Rio Grande para seus dois filmes seguintes – A Paixão de Jacobina e Nossa Senhora do Caravaggio. Assinou também a co-direção com Marcelo Santiago do documentário Grupo Corpo 30 anos – Uma Família Brasileira.

Professor de interpretação, Fábio também dirige para a TV. Entre seus últimos trabalhos está a produção de Sonhos e Desejos, estreia na direção de Marcelo Santiago e de O Homem que Desafiou o Diabo, com direção de Moacyr Góes. Para a TV, dirigiu a série Donas de Casas Desesperadas.

Filmografia

1982 – Índia, a Filha do Sol
1984 – O Rei do Rio
1987 – Luzia Homem
1995 – O Quatrilho
1998 – Bela Donna
2002 – A Paixão de Jacobina
2007 – Nossa Senhora de Caravaggio

Os Atores

Glória Pires estreou na televisão com apenas cinco anos. Desenvolveu uma das carreiras mais sólidas e respeitadas da TV brasileira, atuando em inúmeras novelas e minisséries. Estreou no cinema em 1981, em Índia, a Filha do Sol, com direção de Fábio Barreto, com quem voltou a trabalhar em O Quatrilho (1995). Entre seus filmes destacam-se: Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos, Pequeno Dicionário Amoroso, de Sandra Werneck. Sob a direção de Daniel Filho trabalhou em A Partilha, Se Eu Fosse Você I e II e O Primo Basílio.

Rui Ricardo Dias nasceu em 25 de abril de 1978 na cidade mineira de Santa Maria do Suaçuí. Aos quatro anos passou a viver em Barueri, na Grande São Paulo. Começou a fazer teatro em São Paulo em 1994. Estudou no Teatro da Universidade Católica da PUC – TUCA e na Faculdade Belas Artes de São Paulo. No segundo semestre de 2007 estudou na International School of Corporeal Mime – Londres. Trabalhou na Casa Laboratório para as Artes do Teatro e Fundação Pontedera, Cia. Dirigida por Cacá Carvalho e pelo diretor italiano Roberto Bacci. Nos últimos anos atuou em dois espetáculos com a Cia. Teatro X dirigida por Paulo Fabiano. Atuou em 9 mm São Paulo, primeira série policial produzida pela Fox no Brasil. Lula, o Filho do Brasil, marca sua estreia no cinema.

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