Ficha Tecnica

Direção: Doris Dörrie
Roteiro:Doris Dörrie
Fotografia:Hanno Lentz
Montagem:Inez Regnier, Frank Müller
Música: Claus Bantzer
Elenco:Elmar Wepper, Hannelore Elsner, Aya Irizuki, Nadja Uhl, Maximilian Brückner, Birgit Minichmayr
Produtor:Molly von Fürstenberg, Harald Kügler
Produtora:Olga Film GmbH
World sales: Bavaria Media GmbH
Duração: 126 minutos
País: Alemanha
Ano: 2008
COTAÇÃO: BOM

A opinião

Apenas Trudi sabe que seu marido Rudi, sistemático, que sempre diz “uma maça ao dia, a ida ao médico adia”, está sofrendo de uma doença terminal e ela precisa decidir se vai contar a ele ou não. O médico sugere que eles façam algo juntos, como realizar um velho sonho. “Meu marido odeia aventuras”, ela diz ao médico. Trudi decide não contar ao marido sobre a gravidade de sua doença e aceita o conselho do médico. Ela há muito tempo gostaria de ir ao Japão, mas primeiramente convence Rudi a visitar seus filhos e netos em Berlim. Ele, extremamente repetitivo em suas ações, acostumou-se com o cotidiano criado. Quando chega na cidade, o casal percebe que os filhos estão tão ocupados com suas próprias vidas que não têm tempo para sair com eles. Na segunda viagem que Rudi aceita fazer com a esposa, ela morre repentinamente. Rudi fica devastado e não tem a menor idéia do que fazer. Através do contato com a amiga de sua filha, Rudi compreende que o amor de Trudi por ele havia feito com que ela deixasse de lado a vida que queria viver. Ele começa a vê-la com outros olhos e promete compensar sua vida perdida embarcando em uma última jornada, para o Japão, na época do festival das cerejeiras, uma celebração da beleza, da impermanência e de um novo começo.

Aborda, em um road-movie de conhecimento próprio e dos que nos rodeiam, a metáfora da intolerância, do amor e da solidão num mundo populoso, visto pelas crenças japonesas. A morte significa libertação para uns. Sentir o ente querido que se foi, ajuda não só ao que ficou sofrendo, quanto ao que realizou a travessia sem volta, deixando a esse último uma leveza simples. Essas inferências não ditas diretamente exemplificam-se com frases sobre as relações de pessoas com objetos e ou animais. “Minha mãe é um pato. Para cima, para baixo. Alegre e triste”, diz-se.

O filme é dividido em duas partes. A da esposa e a dele. Os planos longos descrevem, contemplam e refletem os elementos de cena, que na maioria das vezes é a própria paisagem natural e real. A narrativa é lenta, respeitando o tempo dos seus personagens principais e contrastando com os outros. É um grande embate de tempo e pressa. As características alemãs estão representadas na frieza das relações interpressoais, na imposição da certeza de cada um e no individualismo exacerbado de projeção a quem está perto.

O longa alemão lembra em muito o movimento Dogma 95, criado por Thomas Vintenberg e Lars Von Trier, ambos dinamarqueses, por apresentar-se alternativo, frio e seco, com a camera na mão violando e expondo os sentimentos dos seus personagens. Um teatro filmado.

A esposa por entender e seguir a cultura japonesa, resigna as suas ações e o sofrimento quando visualiza as intenções dos outros. O filme peca pela falta de emoção, deixando a mostra não um objetivo, mas um erro de não aprofundamento dos diálogos, preferindo a interpretação técnica. Ambientando, assim, uma artificialidade. Porém na segunda parte, após o falecimento da esposa, o marido resolve visitar os lugares do Japão que a esposa desejaria estar, a emoção é posta na mesa de uma forma sútil.

O ponto alto do filme é sem dúvida a parte de Tokyo. Mostra-se a cultura milenar em um lugar atual, moderno, sexual e extremamente apressado. “O que você faz o dia todo?”, pergunta o filho. “Eu mostro Tokyo a ela (a sua mãe)”, Rudi responde. O título do filme é o símbolo japonês para a temporalidade. O amor está nos detalhes, quando a marido aprende a entender a técnica do Butô, que é a dança da sombra. “Todo mundo pode dançar, porque todo mundo tem sombra”, diz-se.

A Diretora

Nasceu na Alemanha, em 1955. Estudou cinema em Nova York e em Munique. Nos anos 70, realizou diversos documentários e também foi crítica de cinema para a Suddeutsche Zeitung. Seu filme de estréia foi Straight Through the Heart (1983). Tornou-se sucesso de público e crítica em 1985, com a comédia Homens. Seu terceiro filme, Enlightenment Guaranteed (2000), foi uma das primeiras realizações alemãs em digital.

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