Ficha Técnica

Direção, Roteiro e Fotografia: Wes Anderson
Montagem: Andrew Weisblum
Música: Alexandre Desplat
Elenco (Vozes): Meryl Streep, George Clooney, Bill Murray, Owen Wilson, Willem Dafoe
Produtor: Allison Abbate, Wes Anderson
Produtora: Fox Searchlight
World sales: 20th Century Fox
Duração: 87 minutos
35mm
País: Estados Unidos
Ano: 2009
COTAÇÃO: MUITO BOM


A opinião

O cinema do diretor Wes Anderson tem uma característica bem peculiar: a estranheza. A atmosfera é artificial com um intenso aprofundamento. Ele sempre repete o estilo surreal com existencialismo defensivo. Os seus personagens debatem-se para abandonar suas crenças e são absorvidos pela inércia de decisões. Há a humanização do estágio letárgico.

Em paralelo a transformação translinear de uma ponta a outra, de um estágio parado a uma movimentação acorda o catatônico e fornece a ele uma adrenalina exacerbada. Com isso temos personagens em constantes mudanças de humor. E é esse o “truque” escolhido para ser realizado a animação baseada no clássico infantil O Fantástico Senhor Raposo, de Roald Dahl. O estilo animado é o Stop Motion (Leia mais sobre o processo abaixo), cujo princípio é o movimento parado. O filme aborda a história de uma raposa inteligente, que precisa descobrir uma maneira de vencer três malvados fazendeiros que tentam, de todas as formas, prejudicar sua família.

Com situações de humor negro sútil, o longa explicita o estilo do diretor. É perfeccionista, colorido, exagerado, sarcástico, debochado, cruel, resignado, patético às vezes e cruel, muito cruel. É incrível como o lado sombrio de cada um é escancarado. As máscaras da hipocrisia são “necropsiadas”. A inteligência está presente, mesmo nas piadas mais idiotas e clichês.

A narrativa, embalado por Rolling Stones e Beach Boys, busca o verdadeiro saber “quem eu realmente sou”, os medos paralisantes e a redenção própria e a do próximo, sem deixar as manias de verdade absoluta de cada um. É a repetição da covardia do não sofrimento. Até que essa repetição cansa, desejando o querer de algo da natureza selvagem, que todos possuem escondido no mais fundo da vontade unilateral intrínseca. A técnica é muito bem utilizada. Vale muito a pena ser visto. Recomendo.

A Animação ‘Stop Motion’

Stop motion, termo que quer dizer: stop = parado, motion = movimento, é um modalidade de animação que utiliza modelos reais em diversos materiais, dentro dos mais comuns, estão a massa de modelar, ou especificamente massinha. No cinema o material utilizado tem que ser mais resistente e maleável, visto que os modelos têm que durar meses, pois para cada segundo de filme são necessárias aproximadamente 24 quadros (frames).

Os modelos são movimentados e fotografados quadro a quadro. Só é preciso filmar e pausar; mudar os personagens de lugar e soltar a tecla de pause; filmar e pausar de novo. E assim até toda a sequência desejada estar pronta. Estes quadros são posteriormente montados em uma película cinematográfica, criando a impressão de movimento. Nesta fase podem ser acrescentados efeitos sonoros como fala ou música. Um dos muitos filmes feito com a técnica de stop motion foi O Estranho Mundo de Jack (1993), de Tim Burton. A Fuga das Galinhas, A Noiva Cadáver, Wallace e Gromit, O Fantastico Sr. Raposo (2009), de Wes Anderson, são exemplos de filmes em stop motion.

São várias as vertentes do cinema criadas com esta ideologia, majoritariamente trabalhos de animação, pelo o que os trabalhos ficam com um toque característico distinto. Atualmente no Brasil a produtora Animaking está produzindo um longa metragem na técnica stop motion chamado “MINHOCAS”, o qual o Brasil será o primeiro país da América Latina a produzir em tal técnica. Portugal também tem algumas animações em “stop motion” ou o verdadeiro “boneco animado”, sendo a mais relevante nestes últimos temos o curta “A SUSPEITA” de José Miguel Ribeiro.

 


O Diretor

Wes Anderson nasceu em 1969 em Houston, Texas. Realizou seus estudos na Universidade do Texas, em Austin. Estreou com o curta Bottle Rocket (1994) e o transformou dois anos depois em longa homônimo, que no Brasil tem o título de Pura Adrenalina. Seus longas seguintes foram Três É Demais (1998), Os Excêntricos Tenenbaums (2001), A Vida Marinha com Steve Zissou (2004) e Viagem a Darjeeling (2007). Foi um dos produtores de A Lula e a Baleia (2005).

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