A opinião

O tema abordado no filme é sobre um músico. Porém vai mais além e explora a desigualdade social dos sem-tetos que sofrem maus tratos da polícia e dos próprios moradores de rua. Apresenta-se como politicamente correto, com um patriotismo exacerbado americano, que transmite a idéia de que todos podem ser salvos, se a pessoa em questão quiser a salvação. Baseado no livro de Steve Lopez, interpretado por Robert Downey Jr., o longa cria a atmosfera de cult independente com comentários e ações certinhas. Intercala o passado de um músico, competente, imperativo e verborrágico, que largou uma famosa universidade aericana de música, tornando-se um sem-teto. Um jornalista, oportunista como todos são, precisa realizar uma matéria e resolve escrever sobre isso. A metafora da natureza aparece quando a música é tocada em um mundo tão corrido, barulhento e abafado. O caos da pobreza é retratado pelo olhar do jornalista humanizado dos próprios excluídos. O medo cria o pânico que cria a desistência que cria a frustração que cria a loucura. A parte técnica é digna, mas não inova, ficando no senso comum. A fotografia, muito interessante, dá imagem ao som da orquestra. Tenta-se entender o desespero latente do músico desprezado pela sociedade e desprezando a mesma que o oprime mitigando a sua liberdade e sua criatividade. Quando algo é limitado, ele morre. Quando a esperança é dada por alguém, o que recebeu canoniza o doador que torna-se eternamente obrigado a cuidar de quem cativou. “Eu acredito em qualquer coisa que seja útil”, diz-se. O filme manipula os sentimentos sem ética, não respeitando a inteligência do espectador. Portanto segue o caminho do clichê, do óbvio, da repetição e do pedido de por favor engula o meu filme. Chega a ser ingênuo e patético. O filme prende, mas não é bom. Não recomendo.

Ficha Técnica

Direção:Joe Wright
Roteiro:Susannah Grat
Fotografia:Seamus McGarvey
Montagem:Paul Tothill
Música:Dario Marianelli
Elenco:Jamie Foxx, Robert Downey Jr., Catherine Keener, Tom

Holander, Lisa Gay Hamilton
Produtor:Gary Foster
Produtora: Krasnoff
País: Reino Unido, EUA, França
Ano: 2009

A Sinopse

O jornalista Steve Lopez está num beco sem saída, em crise no trabalho e com o casamento chegando ao fim. Um dia, andando pela rua, ele encontra o misterioso Nathaniel Ayers tocando com paixão um violino de duas cordas. À medida que investiga o mistério desse brilhante músico de rua, que já foi um talento destinado à fama e hoje vive em túneis e sob marquises, ele inicia uma busca inesperada. Imaginando ser capaz de mudar a vida de Ayers, embarca numa missão quixotesca para tirá-lo das ruas e levá-lo de volta ao mundo da música.

O Diretor

Nasceu em 1972 em Londres. Estudou Artes Plásticas, Cinema e Vídeo na Escola de Arte Camberwell e na Escola Central de Arte e Design Saint Martins. Dirigiu minisséries de TV, incluindo Nature Boy (2000), Bodily Harm (2002) e Charles II: The Power and the Passion, premiada em 2004 com o Bafta de melhor série dramática. Realizou curtas como Crocodile Snap (1997) e The End (1998), antes de estrear em longa-metragem com Orgulho e Preconceito (2005), seguido de Desejo e Reparação (2007), vencedor do Globo de Ouro de melhor filme dramático.

O Ator

Jamie Foxx, nome artístico de Eric Marlon Bishop, nasceu 13 de Dezembro de 1967, é um ator, roteirista, produtor, comediante e músico americano.
Artista incrivelmente versátil, atendeu à aulas de piano clássico na Juilliard, participou do programa de comédia In Living Color, teve seu próprio programa de TV, a aclamada comédia The Jamie Foxx Show, além de ter sido indicado à dezenas de prêmios por suas mais recentes interpretações no cinemaFoi o terceiro negro à ganhar um Oscar de Melhor Ator (por sua excepcional atuação de Ray Charles no filme “Ray”) e a primeira pessoa a ser triplamente indicada num Globo de Ouro no mesmo ano – Melhor Ator (pelo mesmo Ray), Melhor Ator em Filme para TV (Redemption) e Melhor Ator Coadjuvante (Collateral), além de ser o segundo homem – e primeiro negro – à entrar na seleta lista de pessoas indicadas à melhor ator/atriz e melhor ator/atriz coadjuvante no mesmo ano. Para completar, foi a quarta pessoa à ganhar um Oscar e atingir o no.1 de vendas na parada musical da Billboard, e a primeira à fazê-lo no mesmo ano – por Gold Digger, cantada ao lado de Kanye West.

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