Ficha Técnica

Direção: Woody Allen
Roteiro:Woody Allen
Elenco: Larry David (Boris Yellnikoff), Evan Rachel Wood (Melodie St. Ann Celestine), Ed Begley Jr. (John), Henry Cavill (Randy James), Patricia Clarkson (Marietta), Willa Cuthrell-Tuttleman (Enid), John Gallagher Jr. (Perry), Jessica Hecht (Helena), Lyle Kanouse (Ed), Oleg Krupa (Morgenstern), Carolyn McCormick (Jessica), Michael McKean (Joe), Christopher Evan Welch (Howard)
Fotografia:Harris Savides
Figurino:Suzy Benzinger
Edição:Alisa Lepselter
Distribuidora:Sony Pictures Classics / California Filmes
Produção:Letty Aronson e Stephen Tenenbaum


O Entusiasmo da Esperança da Metalinguagem

Por Fabricio Duque


O diretor Woody Allen está de volta em um filme que passa em Nova Iorque, seu lugar favorito para realizar seus projetos. Mas este não possui a sua presença como ator principal. De uns tempos para cá, ele está no processo de escolha de seu substituto. A ‘cobaia’ da vez é Larry David, roteirista e produtor da série de televisão “Seinfield”. O canal HBO fez uma série sobre ele mesmo em “Larry David: Curb Your Enthusiasm”.

Ele já apareceu em outro filme “A Era do Rádio”, do diretor em questão. O estilo woody-allen de ser está preservado com sua abertura típica, com seu jazz característico e com palavras verborrágicas afiadas e mordazes. Aborda as neuroses, as idiossincrasias, os questionamentos existenciais sobre morte, vida e religião de forma sarcástica e com um humor negro nato. “Isso foi um interlúdio de infidelidade”, diz-se sobre a traição.

Boris Yellnikoff (Larry David) é um velho rabugento que tem o hábito de insultar seus alunos de xadrez. Ex-professor da Universidade de Columbia, ele considera ser o único capaz de compreender a insignificância das aspirações humanas e o caos do universo. Um dia, prestes a entrar em seu apartamento, Boris é abordado por Melodie St. Ann Celestine (Evan Rachel Wood), que lhe implora para entrar. Ele atende ao pedido, a contragosto. Percebendo sua fragilidade, Boris permite que ela fique no apartamento por alguns dias. Ela se instala e, com o passar do tempo, não aparenta ter planos de deixar o local. Até que um dia lhe diz que está interessada nele.

Entretanto, há alguns elementos diferentes. Como é o caso da metalinguagem interativa que só o próprio personagem principal ‘assiste’ a platéia quando diz “Sou o único que vê o cenário completo, por isso consideram-me um gênio”. Não se pode negar a intenção de Larry querendo ser Woody, mas isso não acontece. O que se percebe é um ator pretensioso e forçado. Muitas partes são clichês, porém o próprio longa de um pouco mais de noventa minutos explica quando a frase “Às vezes um clichê é a melhor maneira de explicar um ponto de vista” é mostrada. O ponto alto e interessante do filme é o roteiro adjetivado, irônico, referencial, extremamente culto e informativo. Na verdade, os diálogos, que estão nele, expõem seu valor.

Não é o melhor projeto do diretor. Está longe disso. Chega a ser chato, repetitivo e superficial quando apela nas situações surreais, transformando-as em patéticas e ingênuas. Mas não tem como não gostar. O texto é incrível, com um humor que faz a graça pedida. A esperança, de que tudo pode dar certo, existe. Até para quem é a plateia.

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