A opinião

É um filme extremamente técnico sobre a pintora Séraphine. Por isso, transmite a mensagem de forma artificial e superficial. É um filme ‘novela’. As ações, interpretações, a camera e a fotografia são completamente teatrais. Incomoda muito. Porém a história é contada, abordando o universo de uma empregada sobrevivendo pela paixão à pintura, utilizando mecanismos nada convencionais. Descreve, por detalhes, o seu comportamento resignado e contido. Ela é religiosa, competente no que faz, sabe o seu lugar em sua classe social e busca a simplicidade da natureza, por ter uma sensibilidade aguçada. Antes vê a sua paixão como uma catarse para sua condição de excluída socialmente e para continuar vivendo. “Seja delicado no trabalho e encontrará Deus nas panelas”, diz-se. Aos poucos, o roteiro mostra acontecimentos que a modificam. Percebe o seu talento e começa a acreditar que a vida deu uma trégua no seu caminho sofrido. Ela possui uma certeza real, como se a sua vida fosse uma trajetória definida e imposta, necessitando segui-la, igual a uma ‘ovelhinha’ .”Os animais são tristes, se tirar o bezerro de uma vaca, ela chora”, diz. A música embala a trama, manipulando para a emoção do espectador. A oportunidade faz o sucesso, mas também leva à loucura. Literalmente. “Quando eu vejo (a minha pintura), tenho medo do que fiz”, outra frase. Ela diz também “Fazer uma pintura é outra forma de amar”. O filme é chato, clichê, óbvio, sem aprofundamento, vazio e oportunista com quem está assistindo.

Ficha Técnica

Direção:Martin Provost
Roteiro:Martin Provost, Marc Abdelnour
Elenco:Yolande Moreau, Ulrich Tukur, Anne Bennent
Fotografia:Laurent Brunet
Montagem:Ludo Troch
Música:Michael Galasso
País:França / Bélgica
Ano:2008

A Sinopse

Em 1913, Wilhelm Uhde, colecionador alemão de arte, aluga uma casa no interior da França para fugir da agitação de Paris. Para cuidar da casa, contrata Séraphine, mulher de 48 anos sem muita instrução. Um dia, descobre que ela pinta nas horas vagas e constata em seus quadros um grande talento. Uma relação improvável e conturbada se instaura entre os dois, à medida que Séraphine, emocionalmente instável, entra no mundo da arte e conhece o sucesso e a fortuna. Baseado na vida da grande pintora Naif, Séraphine de Senlis.Vencedor de 7 César 2009, entre eles o de Melhor Filme.

O Diretor

Nasceu na Bretanha, em 1957, indo para Paris ao final do colégio para tentar a carreira de ator. Fez inúmeros papéis no teatro e no cinema antes de se dedicar a escrever e dirigir. Após escrever duas peças e um romance, realizou dois curtas-metragens, J’ai peur du noir (1990) e Cocon (1993). Em 1997 dirigiu seu primeiro longa, Tortilla y cinema e, em 2002, seu segundo, Le Ventre de Juliette.

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