A opinião pelo Convidado Felipe Manhães

Gostei muito do filme. Consegui voltar no tempo e relembrar as vezes que assisti ao programa, a graça que ele tinha e percebi, mais ainda, a importância que ele teve para televisão. Cenas hilárias das “chacretes” se revelando ainda apaixonadas pela idéia de serem dançarinas e bizarrices como exibições públicas de nudez geriátrica, dão ao filme um ar de que foi dirigido pelo fantasma do Chacrinha. Engraçado e um tanto triste foi ouvir o comentário: “O tempo é cruel”, quando um espectador se referia a uma das chacretes que trocava de blusa na frente das câmeras, pela qual ele, provavelmente, já deve ter suspirado um dia. É um filme que marca e diverte. Traz à tona as referências de beleza de uma época e o motivo pelo qual as chacretes eram tão cobiçadas e os calouros tão rechaçados. Por outro lado, fala pouco sobre o próprio Chacrinha. Entrei querendo conhecer a história dele e saí sabendo apenas que era adimirado por inúmeros cantores e odiado por alguns de seus ex-calouros (alguns traumatizados pelas buzinadas e abacaxis, inclusive). Fiquei com essa sensação de “falta algo”, mesmo assim achei um trabalho de direção muito melhor do que “Waldick”, com conteúdo melhor explorado, apesar de ambos me manterem desconhecedor dos seus personagens-foco.

Ficha Técnica

Direção:Nelson Hoineff
Fotografia:Guilherme Süssekind
Montagem:Daniel Maia, Daniela Margutti, Diana Gandra e Felipe Paes
País:Brasil
Ano:2009

A Sinopse

Documentário sobre o maior fenômeno de comunicação do país. Politicamente incorreto, radical, renovador, Chacrinha mudou para sempre a televisão brasileira e expressou um Brasil que estava em torno dela, mas não era percebido. O filme conta a grande aventura chacriniana através da ótica do apresentador, reunindo os núcleos de sua constelação, chacretes, calouros e artistas que passaram por seus programas, para identificar suas individualidades e suas emoções.

O Diretor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1948, é jornalista, crítico e diretor de cinema e televisão. É presidente do Instituto de Estudos de Televisão. Dentre suas obras, destacam-se: Documento Especial, Primeiro Plano e Realidade. Nos cinemas, dirigiu O Homem Pode Voar e, em 2009, lança Caro Francis. Atualmente, dirige um filme sobre Cauby Peixoto e outro sobre o cineasta Nilo Machado.

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