A opinião

É um filme sobre um específico jogo e sobre quem o joga. Mas vai além, aprofundando os sentimentos, anseios e os medos de cada concorrente. São jovens, dez milhões, de uma nova época, de um novo mundo que não está no mapa, o deles, que passam horas, às vezes mais de doze horas por dia, a frente de um computador com unhas roídas e os olhos anestesiados, vidrados e estáticos sem pisca-los, alimentando-se do que não atrapalha as jogadas. Aborda a superação de vencer os limites e a competição para definir quem é o melhor. “Os jovens não tem medo de nada, traçam metas e as seguem”, diz-se. Eles torma-se ídolos para outros tantos que os entendem. “É como um jogo de xadrez”, diz-se. Eles passam por todos os detalhes da vivência comum: pais que não entendem o que fazem e quer outra profissão mais sólida para os filhos. Os ‘adultos’ dizem “Joga porque é rebelde, teimoso e indiciplinado”. Mostra uma vida solitária, introspectiva, com muita pressão interna criada por eles mesmos. Antes do jogo, um dos participantes fecha os olhos e conecta-se com o jogo, vencendo assim a ansiedade e mantendo a calma e conseguem perceber os movimentos da jogada antes de acontecer. O questionamento existe quando um diz “A repetição é uma agressão a criatividade”. O documentário é intimista, visto por dentro do personagem que é um ator real, o humanizando por “tem que acreditar, mesmo sem saber, porque essas escolhas tornam você único”. O longa é muito interessante até para quem nunca jogou, como eu, não entendendo muitos diálogos por serem extremamente específicos. Mas é isto que faz o roteiro acontecer. Realmente está além do jogo, o que se extrai é a própria luta de cada um para ser o melhor em algo, utilizando elementos como vitória, derrota e frusração. Quando um ganha, o outro perde. “Tanto para nada”, diz o participante que foi derrotado. É quase um filme de auto-ajuda, muito bem feito e cuidado, sem ser pretensioso, pois fornece a motivação que se precisa para seguir o caminho, sem imposições, argumentos radicais e sem julgamentos de certo ou errado. É um excelente documentário. Cansativo em alguns momentos, porém vale muito a pena. Recomendo.

Ficha Técnica

Direção:Jos de Putter
Roteiro:Jos de Putter
Fotografia:Vladas Naudzius, Richard van Oosterhout, Jackó Van’t Hof
Montagem:Sander Vos
Música:Paul van Brugge
País:Holanda
Ano:2008

A Sinopse

Hoje, o jogo de computador altamente cerebral Warcraft mobiliza milhões de praticantes no mundo inteiro. Dentro desse universo, há dois jogadores profissionais que realmente se destacam. Situados em lados opostos do planeta, o ex-campeão europeu “Gruby” e seu arqui-rival asiático “Sky”, atual campeão do jogo, se preparam para o confronto no torneio internacional que se aproxima. Até a chegada desse momento, conheceremos as histórias de outros praticantes do Warcraft, como o veterano “MadFrog”, ídolo mundial que, para o alívio de seus pais, acabou se aposentando na carreira.

O Diretor

Nasceu em 1959, na Holanda. Graduou-se em literatura comparada na Universidade de Leiden em 1984. Trabalhou como crítico de cinema e desde 1993 é realizador, sobretudo de documentários. Em 1994, recebeu o Prêmio Jorins Ivens no Festival de Documentários de Amsterdam por Solo, the Law of the Favela, filmado no Rio de Janeiro. Sua obra já foi exibida no MoMA de Nova York, na Galeria Nacional de Arte de Washington e no Museu de Arte de Berkeley.

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