A opinião

É um documentário sobre os bastidores de uma peça. É contado em vários atos aprofundando os detalhes do processo. A estrela maior do filme é Meryl Streep, uma das maiores atrizes do nosso tempo. Ela é espetacular, dedicada, eclética, flexível, e extremamente competente. A maneira como conduz as nuances de interpretações. Causa arrepios no platéia. “Sou a voz dos mortos”, diz a atriz, com um copo de café da Starbucks. E complementa “Mostrar os ensaios é como mostrar os canos de uma construção de um edifício”. Utiliza também um rico acervo de imagens (estáticas e ou em movimentos) de arquivo. Não há apelação, mostra e pronto. O filme referencia do pop ao clássico. Aborda as ténicas e ensinamentos de um professor “através de Carl Marx, ensino Bertold Brecht”. Brecht, necessitando ser ambíguo, realiza um texto de ‘Mãe Coragem’, quase como um grito de desespero e opera elementos que se contrariam. Os personagens morrem pelas suas próprias virtudes e não recusam a derrota. Ele não os culpa. Mas acredita que mudar o contexto que está errado é que é o certo. Questiona-se sobre a guerra e a sobrevivência. Não há julgamentos, porque em uma batalha todos tem a opção de escolher entre o fazer ou o não fazer. Um ou outro, sempre alguém lucra de um lado. O sentimento é de prisão no passado da guerra, portanto o argumento ‘chega de lutar’. É sobre o amor maternal, que pergunta o verdadeiro motivo e sentido de tudo aquilo, de não mais poder abraçar seu filho novamente. Meryl termina definindo “É só uma mãe”. Recomendo.

Ficha Técnica

Direção:John Walter
Roteiro:John Walter
Elenco:Meryl Streep, Tony Kushner, Kevin Kline, Barbara Brecht-Schall
Fotografia:John Walter, Felix Andrews
Montagem:John Walter
Música:Robert Miller
País:Estados Unidos
Ano:2008

A Sinopse

Em 2006, quando a guerra consome novamente países como o Iraque, o Afeganistão e o Líbano, Mãe Coragem e Seus Filhos, o épico anti-belicista de Bertold Brecht, é encenado em Nova York. A adaptação é do dramaturgo Tony Kushner, e Meryl Streep vive a personagem-título. Pela primeira vez, a atriz permite que uma câmera acompanhe seus ensaios. O texto de Brecht, sempre atual, levanta diversas questões, que são debatidas pela equipe. Paralelamente, o envolvimento do autor com a política, de sua fuga da Alemanha nazista à perseguição por comunismo na América, é explorado em imagens de arquivo.

O Diretor

Nasceu nos EUA. Trabalhava como tabelião antes de se dedicar ao cinema. Em 1995, dirigiu três episódios para a série The American Experience. Trabalhou como editorem uma série de filmes, entre eles o premiado My Kid Could Paint That (2007), de Amir Bar-Lev. Em 2002, dirigiu seu primeiro longa-metragem, o documentário How to Draw a Bunny, Prêmio Especial do Júri no Festival de Sundance. Este é seu segundo longa.

A Atriz

Mary Louise Streep (Summit, Nova Jersey, 22 de junho de 1949) é uma atriz norte-americana, criada como Presbiteriana. O nome “Streep” significa “linha reta” em holandês. Considerada uma das mais respeitadas e talentosas atrizes da atualidade. Meryl Streep é recordista em indicações no prêmio Oscar (com 15 indicações), do qual é vencedora de dois nas categorias de Melhor Atriz (principal) e Melhor Atriz (coadjuvante/secundária). Ela é conhecida pelo seu perfeccionismo ao interpretar personagens, tendo inclusive aprendido a tocar violino para atuar em Música do Coração.

Filmografia

2009 – Julie & Julia
2008 – Dúvida
2008 – Mamma Mia!
2007 – Leões e cordeiros
2007 – O suspeito
2007 – Evening
2007 – Fúria pela Honra
2006 – Lucas – Um intruso no formigueiro (voz)
2006 – O diabo veste Prada
2006 – A última noite
2005 – Terapia do amor
2004 – Desventuras em série
2004 – Sob o domínio do mal
2003 – Angels in America
2003 – Freedom: A History of Us
2002 – Adaptação
2002 – As Horas
2001 – AI – Inteligência artifical (voz)
1999 – Música do coração
1999 – Chrysanthemum
1998 – Um amor verdadeiro
1998 – A dança das paixões
1997 – Juramento de amor
1996 – As filhas de Marvin
1996 – Antes e depois
1995 – As pontes de Madison
1994 – Os Simpsons (voz)
1994 – O Rio selvagem
1993 – A casa dos espíritos
1992 – A morte lhe cai bem
1991 – Um visto para o céu
1990 – Lembranças de Hollywood
1989 – Ela é o diabo
1988 – Um grito no escuro
1987 – Ironweed [Hector Babenco]
1986 – A difícil arte de amar
1985 – Entre dois amores
1985 – Plenty – O mundo de uma mulher
1984 – Amor à primeira vista
1983 – O retrato de uma coragem
1982 – A escolha de Sofia
1982 – Na calada da noite
1981 – A mulher do tenente francês
1979 – Manhattan
1979 – Kramer vs. Kramer
1979 – A vida íntima de um político
1978 – O franco-atirador
1978 – Holocausto
1977 – Julia

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