Fish-Tank-poster-filme

A opinião

Por Fabricio Duque

É um filme inglês. Aborda o moderno cotidiano desta cultura. É necessário entender o mundo dos jovens. Eles são infantis, imaturos, precipitados, passionais, vazios e buscam a todo momento limites e referências, sempre simplificando o complicado e vice-versa. Quando não encontram, usam a raiva, o descaso e a impertinência como medidor do caminho a percorrer, numa vida deturpada pelos próprios que vivem no mesmo lugar. Os pais estão cada vez mais distantes e egoístas, deixando as crianças como adultas antes do tempo. A atriz principal, a de quinze anos, é excelente. Sua interpretação é aprofundada, ora causando repulsa, ora pena. É um retrato bem feito, bem cuidado e dirigido de universo introspectivo prestes a explodir, desencadeando a agressão verbal como forma de defesa. A atmosfera do filme é alternativa, com personagens de danças de rua, chamadas streets dance. Provocativas e ingênuas, procurando buscar o seu lugar no mercado, marcando território em alguns momentos. O filme não salva, também não julga. Descreve apenas o conhecimento e o crescimento, experimentando o certo e ou errado, a liberdade e ou a prisão. Externa e ou interna. “você é uma barraqueira”, diz-se com muito chá e leite, típico dos ingleses. Há uma carência reprimida impedindo a exposição de sentimentos reais. Embalado pela música “California Dreaming”, as ações podem ser modificadas. Existe ainda um fio de esperança. “Eu terei que ensiná-las”, diz-se. Os diálogos são reais e interessantes. O começo é um tanto óbvio, mas o filme cresce e demonstra competência. A personagem “Mia” segura o filme de pouco mais de duas horas, causando uma tensão extremamente contundente. É o retrato, quase documental, de uma geração.A volátil Mia tem 15 anos e está sempre se metendo em confusão. Foi expulsa da escola e, ignorada por seus amigos, passa os dias vagando pela vizinhança. Seu único interesse é a dança, que ocupa grande parte do seu tempo livre. Quando num dia quente de verão sua mãe traz para casa o atraente e simpático Connor, as coisas prometem mudar pra melhor. O misterioso estranho parece ter vindo para trazer amor e alegria definitivos para suas vidas. Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2009. Vale muito a pena. Recomendo.

Ficha Técnica

Direção:Andrea Arnold
Roteiro:Andrea Arnold
Elenco:Katie Jarvis, Michael Fassbender, Rebecca Griffiths, Kierston Wareing
Fotografia:Robbie Ryan
Montagem:Nicolas Chaudeurge
País:Reino Unido
Ano:2009

A Diretora

Formou-se em Cinema e Televisão no American Film Institute de Los Angeles. Em 2005 ganhou um Oscar por seu curta Wasp. Em seguida realizou os curtas Dog e Milk, ambos exibidos na Semana da Crítica em Cannes em 1998. Seu longa-metragem de estréia, Marcas da vida, ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2006, além de ganhar um BAFTA em 2007, por melhor diretora estreante.

Críticas Relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos Relacionados