A opinião

Sensacional. É um filme sobre alemães e judeus. Com um humor característico de uma graça sarcástica e patética, o diretor aborda a questão da guerra. A camera é perfeita, com os seus movimentos, calculados e metódicos, e enquadramentos não convencionais, ajudada pela fotografia surreal, estilosa, cult, pop, kitsch, sexy e teatral. Vai direto ao ponto, mas engana e manipula direitinho quem está assistindo, por criar reviravoltas dentro das reviravoltas. Tudo pode ser no instante, mas tenha certeza que irá mudar. O filme não tem pudor, ninguém é certo ou errado, não tem moral e não há salvação. O elemento violento está presente, como em toda obra dele. A vingança real e sem frecuras. A idéia é um longa contra os alemães, os estereotipando em patéticos. A camera lenta e a música mexicana rasgam a tela acentuando o seu estilo típico. “Criei um monstro extremamente persuasivo”, diz-se. É sobre o cinema na guerra. Como pode salvar ou destruir. Mas não cria a metalinguagem, só referencia. “Personagem é personagem”, outra frase. É magnificamente técnico. A trama segue um ditado “o destino dá a mãozinha” para acontecer. Tem a duração de quase duas horas e meia e não se percebe o tempo passar. Quando se olho o relógio, acabou. Tarantino é um dos melhores diretores de todos os tempos. “Sou escravo da aparência”, termino citando outra frase. A sessão no Cinema Odeon foi cravejada de palmas. O filme merece. É excelente. Corra logo ao cinema mais próximo e assista.

Curiosidades

O título em Portugal é ‘Sacanas Sem Lei’.

Notas do Diretor

“Não sou um cineasta americano. Faço filmes para pessoas de todo o mundo e Cannes representa isto. Durante este festival, o cinema é importante”

Ficha Técnica

Direção:Quentin Tarantino
Roteiro:Quentin Tarantino
Elenco:Brad Pitt, Mélanie Laurent, Diane Kruger, Christoph Waltz, Michael Fassbender, Eli Roth, Daniel Brühl, Mike Myers, Julie Dreyfus
Fotografia:Robert Richardson
Montagem:Sally Menke
Música:Mary Ramos
País:Estados Unidos / Alemanha
Ano:2009

A Sinopse

No início da ocupação nazista na França, a atriz alemã Shosanna Dreyfus testemunha o extermínio de sua família pelo coronel Hans Landa. Fugindo para Paris, forja uma nova identidade e vira dona de um cinema. Em outro ponto da Europa, o tenente Aldo Raine reúne um grupo de soldados judeus americanos. Apelidados de “Os Bastardos”, organizam pequenos e brutais atos de vingança contra os nazistas, visando derrubar o regime. As duas histórias se unem debaixo de uma marquise de cinema, onde Shosanna prepara sua própria vingança. Melhor Ator (Christoph Waltz) no Festival de Cannes 2009.

O Diretor

Quentin Jerome Tarantino (Knoxville, 27 de março de 1963) é um diretor, ator e roteirista de cinema dos Estados Unidos da América. Ele alcançou a fama rapidamente no início da década de 1990 por seus roteiros não-lineares, diálogos memoráveis e o uso de violência que trouxeram uma vida nova ao padrão de filmes familiares norte-americanos.

Ele é o mais famoso dos jovens diretores por trás da revolução de filmes independentes dos anos 90, tornando-se conhecido pela sua verborragia, seu conhecimento enciclopédico de filmes, tanto populares, quanto os considerados “cinema de arte”.

Tarantino nasceu no Tennessee. Seus pais eram Tony Tarantino, ator e músico de ascendência italiana, e Connie McHugh, descendente de irlandeses e índios Cherokees. Logo após o nascimento de Quentin Tarantino, sua mãe casou-se com o músico Curt Zastoupil, com quem Tarantino mais tarde viria a formar fortes laços afetivos.

Tarantino iniciou seus estudos na região de San Gabriel Valley, em 1968. Em 1971, sua família mudou-se para El Segundo, ao sul de Los Angeles, onde passou a freqüentar a Hawthorne Christian School. Ao sair da Narbonne High School, em Harbor City, Califórnia, aos 16 anos, iniciou os estudos em atuação na James Best Theatre Company.

Aos 22 anos escreveu seu primeiro roteiro, Captain Peachfuzz and the Anchovy Bandit. Em 1984, Tarantino começou a trabalhar como balconista na Video Archives, uma famosa locadora de filmes em Manhattan Beach; lá se tornou amigo de Roger Avary, um colega de trabalho com quem mais tarde viria a colaborar em Pulp Fiction. Ele continuou seus estudos em atuação na Allen Garfield’s Actors’ Shelter, em Beverly Hills, mas passou a se dedicar principalmente a escrever roteiros.

A venda de True Romance, lançado em 1993, o tirou do anonimato. Ele conheceu Lawrence Bender numa festa em Hollywood, e Bender incentivou Tarantino a escrever um filme. O produto final dessa conversa foi Reservoir Dogs/Cães de Aluguel (1992), um filme inteligente, estiloso e violento, que definiu o tom de seus filmes seguintes. O script foi lido pelo diretor Monte Hellman, que ajudou a levantar fundos junto à Live Entertainment, bem como garantir o lugar de Tarantino na direção do filme. Harvey Keitel ouviu falar do roteiro através de sua esposa, que foi colega de Lawrence Bender. Ele leu o roteiro e também contribuiu com investimentos, assumiu o papel de produtor executivo, e um personagem no filme.

Quentin Tarantino e George Clooney são os irmãos Gecko em From Dusk Till Dawn/Um drink no inferno (1996). Seguindo o sucesso de Cães de Aluguel, Tarantino foi abordado por Hollywood e recebeu propostas para dirigir vários projetos, incluindo Velocidade Máxima e Homens de Preto.

Em vez disso, ele se recolheu em Amsterdã para trabalhar em seu roteiro para Pulp Fiction. Quando foi finalmente lançado, o filme ganhou a Palme d’Or (Palma de Ouro) no Festival de Cannes de 1994 e, junto com Sexo, mentiras e videotape, de Steven Soderbergh e Roger e eu, de Michael Moore, revolucionou a indústria de filmes independentes, mostrando que estes filmes também são rentáveis.

Pulp Fiction é um filme de roteiro complexo e inteligente, com enfoque bastante violento. O filme ficou conhecido pelas aclamadas atuações de seu elenco e, ainda, por ressuscitar a carreira de John Travolta. Pulp Fiction também rendeu a Tarantino e Avary o Oscar de Melhor Roteiro Original, além da indicação na categoria de Melhor Filme.

Depois de Pulp Fiction, ele dirigiu o quarto episódio da série Four Rooms, The Man from Hollywood, um remake de um espisódio de Alfred Hitchcock Presents estrelado por Steve McQueen. Four Rooms é uma colaboração entre Allison Anders, Alexandre Rockwell, Robert Rodriguez e o próprio Tarantino.

O filme seguinte de Tarantino foi Jackie Brown (1997), uma adaptação de Rum Punch, um romance de seu mentor Elmore Leonard. Uma homenagem ao gênero blaxploitation, foi estrelado por Pam Grier, que trabalhou em diversos filmes do gênero nos anos 70.

Tarantino decidiu, então, produzir o filme Inglorious Basterds. No entanto, ele adiou o projeto para escrever e dirigir Kill Bill, lançado em duas partes, Vol. 1 e Vol. 2, um filme estiloso, com temática de vingança, filmado com a influência do Wuxia (filmes chineses de artes marciais), filmes japoneses, filmes de faroeste e filmes de terror italianos ou giallo. O filme é baseado numa personagem chamada A Noiva, que Tarantino criou conjuntamente com a atriz principal deste filme, Uma Thurman, durante as filmagens de Pulp Fiction.

Em 2004, Tarantino voltou a Cannes no papel de presidente do júri. Kill Bill não estava concorrendo, mas foi exibido na noite de encerramento, na sua versão original, com mais de três horas de duração. Enquanto desempenhava a função de presidente, a Palme d’Or foi para o filme Fahrenheit 9/11, de Michael Moore, desconsiderando a insistência de Tarantino em que o prêmio deveria ir para o filme Oldboy.

Tarantino foi creditado como “diretor convidado especial” por dirigir a seqüência do carro entre Clive Owen e Benicio Del Toro do sucesso neo-noir Sin City.

Em 24 de fevereiro de 2005, foi anunciado que Tarantino dirigiria o episódio final da série CSI. O episódio de duas horas, Grave Danger, foi ao ar em 19 de maio, com audiência recorde e sucesso nas críticas.

Apesar de Tarantino ser mais conhecido por seu trabalho atrás das câmeras, ele também apareceu na primeira e na terceira temporadas da série de televisão Alias.

Em 2005, anunciou que seu atual projeto chamaria Grind House, co-dirigindo com Robert Rodriguez. Ele também anunciou que “provavelmente” daria continuidade a Inglorious Basterds depois deste projeto, mas que precisaria de cerca de um ano trabalhando no roteiro antes de filmar.

Entre seus recentes créditos como produtor, estão o filme de terror O Albergue, que inclui referências a Pulp Fiction; a adaptação de Killshot, de Elmore Leonard; e Hell Ride escrito e dirigido pela estrela de Kill Bill, Larry Bishop.

Tarantino tem um grupo de atores que freqüentemente participam de seus filmes, incluindo Tim Roth (Reservoir Dogs, Pulp Fiction, Four Rooms), Harvey Keitel (Reservoir Dogs, Pulp Fiction, From Dusk Till Dawn), Uma Thurman (Pulp Fiction, Kill Bill: Vol. 1, Kill Bill: Vol. 2), Michael Madsen (Reservoir Dogs, Kill Bill: Vol. 1, Kill Bill: Vol. 2, Sin City), Steve Buscemi (Reservoir Dogs, Pulp Fiction), Bruce Willis (Pulp Fiction, Four Rooms, Sin City, Grindhouse) e Samuel L. Jackson (Pulp Fiction, Jackie Brown, Kill Bill Vol. 2).

Tarantino esteve romanticamente envolvido com diversas mulheres, incluindo a atriz vencedora do Oscar de Melhor Atriz de 1995, Mira Sorvino; as diretoras Allison Anders e Sofia Coppola; a atriz francesa Julie Dreyfus; e a comediante Margaret Cho. Surgiram rumores de envolvimento com Uma Thurman, a quem ele se refere como sua “musa”. Entretanto, Tarantino nunca se casou e não tem filhos.

A Estética

Os filmes de Tarantino são conhecidos por seus diálogos afiados, cronologia fragmentada e sua obsessão pela cultura pop. Comumente, são vistos como graficamente violentos e, em seus filmes Cães de Aluguel, Pulp Fiction e Kill Bill, há uma enorme quantidade de sangue jorrando.

Marcas fictícias como os cigarros “Red Apple” e a lanchonete “Big Kahuna Burgers”, de Pulp Fiction, apareceram depois em vários filmes, como Four Rooms, Um drink no inferno e Kill Bill. O diretor também é conhecido por gostar de cereais matinais, que aparecem constantemente em seus filmes, com marcas como “Fruit Brute” em Cães de Aluguel e Pulp Fiction, e “Kaboom” em Kill Bill.

Outra caracteristica refere-se as cenas de diálogos em que a camera se localiza dentro do porta-malas de um carro.

Mundo Paralelo

Pelos roteiros de Quentin Tarantino é possivel notar que as histórias se passam num mundo paralelo e que as os personagens de seus filmes possuem elos entre si. Um exemplo disso são os irmãos Vega, Vicent Vega aparece em Pulp Fiction, já seu irmão Vic Vega é presente em Cães de Aluguel. Fãs mais fervorosos criam teorias a respeito de outros personagens, como é o caso de Rufus em Kill Bill vol.2 (Samuel L. Jackson) que consideram ser Jules Winnfield (também interpretado por Samuel L. Jackson) de Pulp Fiction, porém vivendo uma nova vida, com outro nome, em El Paso.

As Influências

Tarantino ficou conhecido como cineasta por seu conhecimento enciclopédico de filmes, críticas de cinema e história do cinema. Particularmente, ele tem um vasto conhecimento de filmes estrangeiros, filmes de gênero e filmes pouco conhecidos. Ele se declara um fã de filmes de ação de Hong Kong, filmes de faroeste, filmes de terror italianos, filmes da nouvelle vague francesa, e cinema britânico. Sua paixão por estes estilos de cinema se reflete em seus trabalhos — todos os seus filmes fazem referências a outros filmes ou gêneros diferentes de cinema, em seu estilo, histórias ou diálogos.

Certa vez, ele resumiu tudo isso dizendo “Eu nunca freqüentei a escola de cinema. Eu freqüentei o cinema”.

Filmografia

1987 – My Best Friend’s Birthday
1992 – Cães de aluguel
1994 – Pulp Fiction – Tempo de violência
1995 – Grande Hotel (segmento: O homem de Hollywood)
1997 – Jackie Brown
2003 – Kill Bill: Volume 1
2004 – Kill Bill: Volume 2
2005 – Sin City – A cidade do pecado (diretor convidado)
2007 – Prova de Morte (projeto Grindhouse)

  • GENIAL !!!!

    Vi ontem…me surpreendeu, não esperava muito desse filme não… Gostei até da atuação do Brad Pitt ! (eu implico deveras com ele…rs)

    Gostei tb das informações a mais sobre o diretor e sobre o projeto do filme, que pelo q vc mostrou, ele alimentava há tempos…

    No mais, parabéns pelo Blog!!!!

  • "Tarantino é um dos melhores diretores de todos os tempos" Pooooutzzz Fabrício, que baita exagero né =) Tá muito puxa-saco dele =P
    Eu fico com a opinião do cliente cinéfilo da locadora no filme "Vida de Balconista". =P

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos Relacionados