Ficha Técnica

Direção:Semih Kaplanoglu
Roteiro:Semih Kaplanoglu, Orçun Köksal
Elenco:Melih Selçuk, Basak Köklükaya, Riza Akin, Saadet Isil Aksoy
Fotografia:Özgür Eken
Montagem:François Quiqueré
Duração: 102 minutos
País:Turquia / França / Alemanha
Ano:2008
COTAÇÃO: ENTRE O BOM E O MUITO BOM (vendo os outros)
COTAÇÃO: REGULAR (se assistir esse primeiro – opinião no Festival do Rio 2009)

A opinião

Planos longos e contemplativos. A camera espera algo. E nada acontece, apenas aborda o cotidiano comum de uma família de mãe e filho. A falta de comunicação com os outros causa a introspecção. O personagem é um escritor lutando para que os seus poemas sejam publicados.

“Você acorda com o livro na mão, olha para cima, olha para o lado, olha para o inseto”, diz a mãe em certo momento, não entendendo o talento e o querer diferente do filho. Há cenas com troca de foco que são muito interessantes. A narrativa apresenta o tempo do pensamento, ora lento, ora mais lento ainda. Sem espera sempre alcança. Os ‘diferentes’ relacionam-se com uma sensibilidade ímpar, tornando-se cúmplices.

Yusuf é filho único e vive com sua mãe, Zehra, em uma pequena cidade do interior da Turquia. Juntos os dois trabalham vendendo leite, única fonte de renda da família desde que o pai de Yusuf desapareceu. Zehra mantém um relacionamento discreto com o chefe da estação de trem local, enquanto Yusuf, recém-formado da escola, se divide entre o trabalho no negócio familiar e a paixão pela poesia, conseguindo publicar seus poemas em revistas de literatura obscuras. Entretanto, a venda de leite e de poesia não parece suficientes para garantir o futuro da família. Competição do Festival de Veneza 2008.

A realidade oprime o verdadeiro desejo e não fornece opções. As imagens são bonitas, principalmente “Izmik”. A revolta aparece transformando em dor o corpo as dores da alma. Porém é comedida. É uma crítica social sobre o trabalho. Nada acontece, quando se acha que irá acontecer algo, de novo nada acontece. Ou acontece demais, sem aprofundar.

Joga na tela e pronto. Acho que necessito assistir ao primeiro filme da trilogia para entender melhor (opinião realizada no Festival do Rio 2009). Isto muda quando é visto os outros filmes da trilogia. Entende-se o processo realizado pelo diretor.

“Essa idade para os homens turcos é de grande pressão”, diz o cineasta. “Além da crise de identidade, de não saber se pertencem ao oriente ou ao ocidente, eles são cobrados a logo tomar uma decisão e dar rumo a suas vidas”. Nesse momento, segundo ele, a mãe tem papel fundamental numa sociedade masculina como a turca, pois é um momento de rompimento duro para os jovens.

O Diretor

Nasceu em 1963, na Turquia, e formou-se em Cinema e Televisão na Universidade de Dokuz Eylül em 1984. Trabalhou como roteirista e diretor de televisão, e em 2002 realizou seu primeiro longa, Away from Home. Em 2004, exibiu Angel’s Fall no Festival de Berlim. Desde 1987, escreve também artigos sobre arte e cinema. Este é o segundo filme de sua Trilogia de Yusuf, que com Yumurta (ovo) e o filme Bal (mel) sobre as transformações econômicas e sociais de regiões rurais da Turquia. A sequência é ovo, leite e mel.

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