A opinião

O filme apresenta uma atmosfera nostálgica. É uma narrativa de cotidiano. Aos poucos os sentimentos dos personagens aparecem. Os diálogos, realistas e ditos com a sinceridade de uma criança, acrescentam ao filme um ótimo trabalho. É sensível, sem ser piegas. “Freiras cheiram a mijo, mas sabem ensinar”, diz-se. Quando verdades são mostradas, o que nunca se espera, a mudança é inevitável. A maneira de como o roteiro trabalha as situações é ótimo. “Missa deixa a gente no escuro”, outra frase. Quem contou, com uma crueldade ingênua da verdade, o que não devia, vê a vida desmononar. Arrepende-se, mas não dá o braço a torcer. Uma das músicas “Bang, Bang” em versão francesa embala. A pureza da infância descobrindo a realidade dura, complicada e incompreendida do mundo adulto. “Você não é louco, é diferente”, humaniza quem não é igual a todo mundo. O que uma simples ação impensada pode acarretar? No final o filme derrapa, com musiquinhas ‘sentimentalóides’ para fazer chorar e emocionar. Não havia necessidade disso, o filme já era muito bom. Mesmo os pontos negativos do final, vale a pena ser visto.

Ficha Técnica

Direção:Léa Pool
Roteiro:Isabelle Hébert
Elenco:Marianne Fortier, Céline Bonnier, Laurent Lucas, Gabriel Arcand
Fotografia:Daniel Jobin
Montagem:Dominique Fortin
Música:Laurent Eyquem
País:Canadá
Ano:2008

A Sinopse

No verão de 1966, enquanto a adolescente Elise aguarda ansiosamente a diversão das férias, mas uma crise se abate sobre sua família. Suspeitando da traição do marido, sua mãe decide abandoná-los e partir para Londres para se tornar âncora televisiva. O pai de Elise fica simplesmente sem reação; seu irmão Coco tenta esquecer a ausência da mãe construindo um carro de corrida, e Benoît, o mais novo, se isola no porão da casa. Tomando consciência de seu papel, a menina decide tomar as rédeas de sua família, e para isso conta com a ajuda de um novo amigo, o recluso Sr. Mouche.

A Diretora

Nasceu em 1950, na Suíça. Formou-se em Comunicação na Universidade de Québec, no Canadá. Dirigiu diversos curtas-metragens, vídeos e programas de televisão. Em 1984 realizou seu primeiro longa, La Femme de l’hôtel, exibido no Festival de Berlim e ganhador do prêmio FIPRESCI no Festival de Montreal. Entre seus filmes destacam-se ainda Emporte-Moi (1999), Prêmio do Júri Ecumênico no Festival de Berlim, e Assunto de Meninas (2000).

Filmografia

2004 – The Blue Butterfly
2001 – Lost and Delirious
2000 – Set Me Free
1996 – Letter to My Daughter
1993 – Desire in Motion
1991 – Montreal Vu Par…
1991 – The La Demoiselle Sauvage
1990 – A Corps Perdu
1986 – Anne Trister
1984 – La Femme de l Hotel

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