A opinião

É uma metalinguagem da metalinguagem do cinema. Vidas reais de atores misturam-se com a vida dos personagens. Há todos os elementos de uma filmagem. É uma referência a “A noite americana” de François Truffaut. O filme é alemão, portanto mude a cultura em relação ao outro citado, que era francês. O personagem principal tem um ego de ator, apresenta-se mimado e insubstituível por fazer um ótimo papel. “Todos os atores são iguais”, diz-se. Com um deslize deste, outro tenta assumir o papel. “No cinema não há substitutos”, outra frase quando começa uma guerra para escolher quem é o melhor. Retrata a velhice de um ator, olhando com desdém a juventude, sentindo-se ultrapassado. “Cinema é para os novos”. O jazz embala a magia da filme, criando uma nostalgia de suspiros na platéia, e a música jovem deprime os mais velhos atores. O personagem deseja a todo momento voltar a ser jovem, usando até um típico boné. “Fazer filmes é perder tempo de vida. Dedico-me integramente, só espero respeito”, diz o ator do personagem. As histórias misturam-se. Novas e velhas. Detalhes mostram os sentimentos. “Fazemos as mesmas coisas, não somos originais. Faz-se um filme para descobrir algo”. O filme é apaixonante para quem é apaixonado por cinema. E para quem só está de passagem também. Um roteiro competente, sensível, engraçado. É o mundinho dos bastidores para quem o cinema é feito. Imperdível.

Ficha Técnica

Direção: Andreas Dresen
Roteiro: Wolfgang Kohlhaase
Elenco: Henry Hübchen, Corinna Harfouch, Sylvester Groth, Markus Hering
Fotografia: Andreas Höfer
Montagem: Jörg Hauschild
País: Alemanha
Ano: 2009

A Sinopse

Otto, ator com 30 anos de fama que faz sucesso com as mulheres, tem uma certa queda para o álcool. O excesso de bebida faz com que ele perca um dia de filmagem em seu novo filme e, como garantia, os produtores chamam o jovem e desconhecido Arno como substituto para seu papel. Assim, todas as cenas passam a ser gravadas duas vezes, uma com Otto, outra com Arno, provocando um duelo de gerações. Mas esta não é a única preocupação de Otto. Ele também tem de aprender a conviver com Bettina, antiga amante, que é novamente seu par na tela, e par do diretor fora dela.

O Diretor

Nasceu em 1963, na Alemanha. Nos anos 80, começou a trabalhar com teatro e fazer curtas-metragens. Formou-se em Direção na Academia de Cinema e Televisão Konrad Wolf Postdam-Babelsberg. Em 1992 dirigiu seu primeiro longa, Stilles Land. Entre seus filmes seguintes, destacam-se Figuras da Noite (1999), Verão em Berlim (2005), Entre Casais, Urso de Prata no Festival de Berlim 2002, e Nuvem 9, premiado na Mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes 2008.

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