A opinião

É sobre preconceitos e superações. Com uma fotografia (excelente) granulada, retrata a mudança de uma cultura a outra. A camera em alguns momentos é preocupada, proibida e intrusa, em outros está com medo, e aproxima-se dos personagens, em close, tentando a todo custo focalizar o que querem. Primeiro vem o sufocamento e a falta de perspectiva. O ser humano cansa de estar no mesmo lugar sempre. Quer sair logo. “Lá seremos estrangeiros (nos EUA), aqui somos prisioneiros”, foi dito no filme. Eles procuram a liberdade desordenada de ir e vir. Mas encontram a liberdade aprisionada do politicamente correto. A trama logo é apresentada, e prende a atenção desde então. Mostra a ingenuidade de um e a crueldade do outro. Quando não se aguenta mais, os papéis são trocados. Comporta-se como uma persuasão realista. O descaso é encontrado. A xenofobia libertada e ficando estampada em cada um. O endurecimento ocorre por causa da hipocrisia das pessoas e é desencadeado pela infantilidade do lugar. Fica claro a ignorância de um povo. Frase do filme “Somos minoria aqui, minoria lá”. Para salvar-se, o jeito é aprisionar-se. Depois de um tempo, o sofrimento é amenizado e então se resigna com a quantidade de felicidade oferecida. O final desce de escala, mas não prejudica. Recomendo.

Ficha Técnica

Direção: Cherien Dabis
Roteiro: Cherien Dabis
Elenco: Nisreen Faour, Hiam Abbass, Alia Shawkat, Joseph Ziegler
Fotografia: Tobias Datum
Montagem: Keith Reamer
Música: Kareem Roustom
País: Estados Unidos / Canadá / Kuwait
Ano: 2009

A Sinopse

Muna, palestina divorciada, vive com o filho adolescente na Cisjordânia. Apesar de seu otimismo, o dia-a-dia no território ocupado não é fácil. Portanto, quando a oportunidade de ir trabalhar nos EUA se apresenta, ela aceita de bom grado, indo se juntar à irmã nos confins do Illinois. Chegando lá, se dá conta de que todo o seu dinheiro foi confiscado na alfândega junto com uma lata de biscoitos. Sem conseguir emprego melhor, vai trabalhar na cozinha de uma lanchonete, mas a vergonha a faz fingir que está empregada num banco. Prêmio da FIPRESCI na Quinzena dos Realizadores em Cannes 2009.

A Diretora

Nasceu nos EUA, em 1976, filha de pais palestinos. Formou-se em Cinema na Universidade de Columbia e é produtora e roteirista de televisão. Seu curta, Make a Wish (2006), foi exibido em Sundance, Berlim e no Festival de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, onde ganhou o Prêmio da Imprensa e uma menção especial do júri. Bolsista em roteiro da New York Foundation for the Arts. Este é seu primeiro longa.

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