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A opinião

A definição de insolação tanto pode ser uma exposição ao sol como meio terapêutico ou resultado mórbido da mesma exposição. O filme é distante. Os planos são longes e gerais mostrando pequenos pontos andantes que são as pessoas. Minúsculas dentro da dimensão da tela. Há uma estranheza latente. Pode ser entendido porque o ser humano é estranho até para si. A câmera espera e é não convencional, conduzida pelos devaneios dos personagens que pensam ideias contrárias de uma mesma coisa. Nada faz sentido. Cada um possui o seu próprio deserto. Os diálogos são perdidos. Não se ouve, apenas a verborragia da palavra. Ações e perguntas repetitivas sem prestar atenção a respostas. Uma solidão resignada. A interação interpessoal é superficial, exacerbando o lado introspectivo. O desespero está lá, mas calou-se. Onde está o sentido? Em muitos momentos o roteiro se perde. É longo, às vezes chato e pretensioso. Os diálogos não passam credibilidade em muitos momentos. Porém, a estética e a inovação conseguem segurar a história. Mesmo assim não faz sentido. Mas tentamos entender qual o objetivo proposto, já que todos nós somos solitários e vazios.

Notas dos Diretores

Daniela disse “Eu detesto estar aqui, por isso fico atrás das coxias. E acrescento: Confie no mistério”

Felipe disse: “Eu poderia estar fazendo dez peças. Fiz pensando no cinema do meu país. Em especial a Domingo de Oliveira, hoje é o seu aniversário, vamos bater palmas, e a Paulo José”

Ficha Técnica

Direção: Felipe Hirsch e Daniela Thomas
Roteiro: Will Eno, Sam Lipsyte, Felipe Hirsch e Daniela Thomas
Elenco: Paulo José Simone Spoladore Leonardo Medeiros André Frateschi Antônio Medeiros Maria Luisa Mendonça Leandra Leal Jorge Emil Eduardo Tornaghi Daniela Piepszyk Riberto Audio Arduíno Colassanti
Fotografia: Mauro Pinheiro Jr., ABC
Montagem: Livia Serpa
Música: Arthur Faria
País: Brasil / Brasil / SP
Ano: 2009

A Sinopse

Insolação conta a história de desertos amorosos. ‘Amor e Perdas. Perdas, principalmente.’, na fala de uma das personagens. Numa cidade vazia, castigada pelo sol, jovens e velhos confundem a sensação febril da insolação com o início delicado da paixão. Como espectros, eles vagam entre construções e descampados em busca do amor inalcancável. Livremente inspirado em contos russos do século XIX, as histórias se entrelaçam e se desembaraçam na improvável cidade de Brasília, espelho distorcido da utopia soviética, instalada no serrado brasileiro.

Os Diretores

Daniela Thomas é artista multidisciplinar: cenógrafa, diretora de arte, diretora de cinema e teatro, roteirista e dramaturga. Foi indicada à Palma de Ouro do Festival de Cannes em 2008 pelo filme Linha de Passe, dirigido em parceria com Walter Salles. Também divide a direção em O Primeiro dia.
Felipe Hirsh é diretor, dramaturgo e produtor. Seu trabalho vem sendo amplamente divulgado pela imprensa do país, seus espetáculos vem sendo escolhidos regularmente como os melhores do ano.

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