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A opinião

São metáforas de Tokyo. As fragilidades desta cidade estão à prova. O olhar observador de três diretores famosos explorou esse universo. Não só do lugar, mas também de quem vive. As próprias. Uma sociedade só se faz com pessoas e o objetivo dos três curtas de 35 minutos cada é mostrar o avesso do que é considerado ‘normal’. Filme em três episódios. Em Design de Interiores, um jovem casal se muda para Tóquio, e enquanto ele tenta se tornar cineasta, ela se distancia do namorado, até descobrir uma estranha transformação em seu corpo. Já em Merda, um misterioso homem, chamado pela mídia de “criatura dos esgotos”, espalha confusão nas ruas de Tóquio com seu comportamento destrutivo, até ser preso e julgado. Em Sacudindo Tóquio, um jovem vive isolado por mais de dez anos em seu apartamento, sem qualquer contato com o mundo. Durante um terremoto, uma entregadora de pizza desmaia em sua porta, e ele acaba se apaixonando.


Design de Interiores (Interior Design), de Michel Gondry

A metáfora do vazio e da acomodação. A fantasia confrontada pela realidade da maturidade de se saber o que é e o que quer. Necessita-se crescer. Versa sobre as idiossincrasias de um jovem casal de namorados. O namorado, cineasta, cria histórias fantasiosas com idéias não convencionais nos seus filmes e no próprio relacionamento. Tokyo sufoca. Há caixas por todos os lados. A fotografia ressalta um filme sensível sem ser piegas. Ser algo é necessário no mundo de hoje. O vazio existe. Precisa explodir. Nem que seja ficar parado.


Merda (Merde), de Leos Carax

A metáfora dos marginalizados pela sociedade. Repleta de referências a filmes e histórias, como o Grinch de Natal. É só prestar atenção. O filme explora o lado negro do ser humano. O lado egoísta. Cada vez ficando mais exacerbado. Os excluídos precisam de auto afirmação. Pode ser por vandalismo, inconveniência com o outro e ou por terrorismo, criando a própria guerra. Com as próprias mãos. A exclusão social para existir depende de quanto dinheiro e poder existe na questão. O roteiro critica tudo que é social: a religião, a falta de sentimentos – percebida numa cena sútil, que chega a ser quase surreal -, aos americanos e aos próprios japoneses – que não entendem nada, precisando de um francês para salvá-los. O excluído é invísivel. É muito difícil matá-lo, pois ele já está morto.


Sacudindo Tokyo (Shaking Tokyo), de Bong Joon-Ho

A metáfora da solidão. A reclusão já é uma patologia social. Chamados de Hikikomori. Pessoas que vivem anos sem sair de suas casas. O medo ao próximo existe. E o outro tem medo do outro. Convivendo apenas com o próprio ser, manias e transtornos repetitivos são criados. Harmônicos e sem surpresas. O pavor da exposição, por achar que somos avaliados e julgados a todo tempo, intensifica o desejo de se deixar e não viver o que se é. Até que algo acontece. A referência clássica é a Caverna de Platão. Os cubículos lares.


Ficha Técnica

Direção: Bong Joon Ho, Michel Gondry, Leos Carax
Roteiro: Gabrielle Bell, Michel Gondry, Leos Carax, Bong Joon-Ho
Elenco: Ayako Fujitani, Ryo Kase, Ayumi Ito, Denis Lavant, Jean-François Balmer, Renji Ishibashi, Teruyuki Kagawa, Yu Aoi, Naoto Takenaka
Fotografia: Masami Inomoto, Caroline Champetier, Jun Fukumoto
Montagem: Jeff Buchanan, Nelly Quettier
Música: Etienne Charry, Lee Byung Woo
País: França / Japão / Alemanha / Coréia do Sul
Ano: 2008



Michel Gondry nasceu em 8 de maio de 1963, Versailles, França. Dirigiu dois filmes do famoso roteirista Charlie Kaufman, Human Nature e Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Esse último pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original como co-roteirista, em 2005.

Em 2006 dirigiu “La Science des Rêves” ou “The Science of Sleep” (“Sonhando Acordado”, no Brasil), com roteiro seu. O personagem principal, Stéphane (interpretado por Gael Garcia Bernal) traz diversos elementos autobiográficos. O apartamento de Stéphane no filme, por exemplo, é o mesmo onde Gondry morou na realidade, 15 anos atrás, entre diversas outras coisas. Em 2008, filmou o projeto “Be Kind,Rewind” (“Rebobine, Por Favor”, no Brasil), cujo elenco era composto por Jack Black, Mos Def, Danny Glover e Mia Farrow. A história rodava em torno de uma vídeo locadora que, acidentalmente, tem suas VHS apagadas. Para atender a clientela, o balconista da loja (Def) se junta ao amigo (Black) para refilmar de forma amadora filmes como “Os Caça-Fantasmas”, “Robocop”, “Conduzindo Miss Daisy” e “Hora do Rush”. Tal prática foi batizada de “sweeded” ou “suecar”. No Youtube, por exemplo, pode-se conferir vários filmes “suecados” por fãs do filme. Esteve há pouco tempo no Brasil lançando a sua exposição de ‘Rebobine’ no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro.

Fez fama como diretor de clipes de artistas como Björk, The Chemical Brothers, The White Stripes, entre muitos outros.Tem um estilo inconfundível com planos-seqüências, truques direto na câmera (sem efeitos-especiais) e ousada criatividade.
Foi baterista da banda francesa Oui Oui.Publicou dois livros: “You’ll Like This Film Because You’re In It”, baseado na experiência de dirigir o filme “Be Kind,Rewind” e “We Lost the War but Not the Battle” em formato quadrinhos

Filmografia

2007: Be Kind Rewind (Rebobine por favor)
2006: The Science of Sleep (Sonhando Acordado)
2004: Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças
2001: A Natureza Quase Humana


Leos Carax, Oscar Alexandre Dupont, nascido em 22 de novembro de 1960, em Suresnes, no subúrbio de Paris. É um cineasta, crítico e escritor francês. Carax é conhecido por seu estilo poético e suas descrições torturadas de amor. Seu primeiro trabalho importante foi Boy Meets Girl (1984), e seus trabalhos mais notáveis incluem Lovers on the Bridge (1991) e o controverso Pola X (1999). Seu nome profissional é um anagrama de seu primeiro e segundo nomes. Ele começou sua carreira no cinema com uma série de curtas-metragens, e como um crítico de cinema, antes do lançamento de Boy Meets Girl (1984). Isso estabeleceu a reputação de Carax para um estilo maduro visual. Fez a peça com temática de ficção científica Bad Blood, em 1986, que alienou a audiência, mas o trabalho continuou a explorar as complexidades do amor no mundo moderno, desta vez através de um ponto de vista mais sombrio, mais criminoso. Os Amantes da Pont-Neuf foi claramente uma homenagem ao cinema francês New Wave, e seu uso de atrizes como Juliette Binoche mostrou uma comovente homenagem à sua influência, especialmente Jean-Luc Godard.

Cinco anos depois, Carax voltou a dirigir com Les Amants du Pont-Neuf, que provou ser um empreendimento caro. As autoridades de Paris permitiram apenas 10 dias para filmar. Sua reação inicial para os problemas de filmagem em uma ponte pública tinha sido a de construir um modelo da ponte na comunidade de Lansargues, no sul da França. Dificuldades financeiras empurraram o filme por muito mais tempo que pretendia. O filme foi lançado. Houve aclamação da crítica e abriu a porta para a entrada de uma obra mais experimental, o seu quarto longa, Pola X. Esse filme, lançado em 1999, era uma adaptação de Herman Melville. Conto de incesto.

Filmografia

1984 – Boy Meets Girl
1986 – Mauvais Sang
1987 – King Lear (ator)
1991 – Les Amants du Pont-Neuf
1997 – The House (ator)
1997 – Sans Titre
1999 – Pola X
2003 – The Process (ator)
2007 – Mister Lonely (ator)


Bong Joon-Ho, nascido em 14 de setembro, 1969 em Seul, é um diretor de cinema sul-coreano e roteirista. Ele decidiu se tornar um cineasta, enquanto no ensino médio, talvez influenciado por uma família de artistas (o pai era um designer e seu avô foi um escritor notável.) Ele se formou em Sociologia na Universidade Yonsei, em finais de 1980. Enquanto isso, ele fez muitos filmes de 16 milímetros e foi convidado para festivais internacionais de cinema. Vancouver e Hong Kong. Em 1994 dirigiu o curta-metragem Barking Dogs Never Bite, comédia de sátira social e cruel. Em 2000 se tornou amplamente conhecido no seu país de origem pelo filme Memories of Murder. Ele atingiu sucesso comercial e aclamação da crítica.The Host, em 2006, foi visto por um recorde de dez milhões de pessoas no país e foi bem recebido pelo Festival de Cannes. Uma anedota é contada a ele sobre o host. No colegial, ele viu uma criatura incomum pendurado em uma ponte do rio Han, em Seul e decidiu fazer um filme de monstro. Seu filme mais recente é a Mãe, a história de uma mãe que luta para salvar o filho de uma acusação de assassinato, que estreou no Festival de Cannes em 2009. Ele está planejando dirigir Le Transperceneige, uma adaptação de Jean-Marc Rochette e Jacques Loeb em quadrinhos de mesmo nome.

Filmografia

2000 – Barking Dogs Never Bite
2003 – Memories of Murder
2006 – The Host

  • Gostei muito dos episódios…
    E com as tuas análises, faz muito mais sentido!!!!

    Princpalmente quanto ao 2º episódio, não sabia muito o que pensar, mas vc iluminou tudo aqui.. adorei a tua interpretação…perfeita!

    No 1º episódio, teve uma cena que me lembrou o Truffault… a cena dos empacotadores, que a guria faz um gato/cachorro… lembrei de um dos filmes do Antoine Doinel, qdo ele era detetive e se fingia de empacotador na loja de sapatos…rs

    O 3º episódio tb achei mto bacana…e a parte q ele vaga sozinho, lembrei um pouco do Ensaio Sobre a Cegueira…será q é mto viagem minha? rs
    E legal q esse episódio é do mesmo cara que fez o Mother (q eu não curti), mas esse eu achei bem bacana, vou ver se vejo outros filmes do cara…

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